Haddad diz que não houve desidratação do pacote fiscal

Ministro da Fazenda afirmou que ajustes não alteram a escala final

Por Cruzeiro do Sul

Fernando Haddad disse que debate sobre IR ficou para 2025

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou ontem (20) que o resultado das votações da Câmara dos Deputados sobre o pacote fiscal vão ao encontro das pretensões da equipe econômica, não havendo desidratação das medidas. “Não houve desidratação, mas esses ajustes de redação não alteram a escala final, mantém na mesma ordem de grandeza o que foi encaminhado pelo Executivo. Estamos em uma democracia e temos de entender isso. O Congresso existe e ele opina e delibera. Achamos num prazo muito curto um resultado muito interessante”, classificou.

Haddad argumentou que não poderia aguardar um pacote fiscal “robusto o suficiente” e deixar a apresentação das medidas, em razão disso, somente para o próximo ano. A espera seria um “banho de água fria”, em sua avaliação.

A declaração foi dada em café da manhã com jornalistas, em resposta às críticas de que o pacote enviado pelo governo não é suficiente para arrumar o cenário fiscal.

Para Haddad, era melhor enviar o que já estava pacificado entre ministérios e Congresso do que esperar até março para apresentar algo. Ele reiterou que o governo enviou aquilo que achava que era possível aprovar. Uma mudança que o governo pretendia fazer, no Benefício de Prestação Continuada (BPC), também foi alvo de reflexão do ministro, que disse que houve uma desorganização na gestão do programa.

Ao ser questionado sobre a apresentação de medidas adicionais, ele repetiu que o trabalho sobre os gastos deve ser rotina.

Imposto de Renda

O ministro da Fazenda disse que a reforma da renda não foi enviada este ano porque foi necessário fazer uma recalibragem em relação ao que estava previsto sobre o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). “A ideia é usar 2025 para abrir debate sobre IR que vai passar por outros temas também, não é só isenção, uma série de outras coisas precisam ser consideradas”, disse Haddad. Segundo ele, a equipe econômica busca neutralidade fiscal e que a arrecadação do imposto de renda — somada de pessoa física e de pessoa jurídica — permaneça estável. “O objetivo é corrigir distorções do sistema”, afirmou. (Estadão Conteúdo)