Inundações deixam 95 mortos na Espanha

Em algumas horas choveu 300 milímetros, volume equivalente a um ano inteiro

Por Cruzeiro do Sul

Força da água fez uma "avalanche" de carros na cidade de Sedaví, região de Valência

Ao menos 95 pessoas morreram nas inundações provocadas pelas chuvas torrenciais que afetaram principalmente o sudeste da Espanha, levando caos a muitas localidades que ficaram isoladas. “A cifra atualizada é de 92 pessoas falecidas na Comunidade Valenciana, duas em Castela-Mancha e mais uma pessoa na Andaluzia, o que faz um total de 95 pessoas”, disse à emissora pública TVE o ministro da Polícia Territorial, Ángel Victor Torres. Ele alertou, ainda, que “são dados provisórios” e que esse número poderá aumentar.

Valência era a região mais crítica para os serviços de emergência ontem (30), com estradas destruídas e áreas isoladas e sem serviços de telefonia ou eletricidade, o que gera temores de um número de mortos ainda maior. “Choveu por 10 horas (...) Estamos isolados, não é possível acessar parte da cidade. As estradas estão todas cortadas, as pontes estão partidas‘, disse José Manuel Rellán, um morador da cidade valenciana de Ribarroja del Turia, à AFPTV.

As imagens impactantes registradas mostram enxurradas de água devastando ruas e arrastando automóveis. A agência meteorológica estatal Aemet registrou “acúmulos extraordinários” de chuva, com alguns municípios recebendo 300 mm de água por metro quadrado em apenas algumas horas, “praticamente o que pode chover em um ano inteiro”, disse o líder da oposição de direita, Alberto Núñez Feijóo, que visitou uma localidade atingida em Castela La Mancha.

O transporte ferroviário e aéreo na região continua suspenso e o trem de alta velocidade entre Madri e Valência só voltará a funcionar na próxima semana, informaram as autoridades. “Reiteramos a importância de não fazer deslocamentos por estrada” nas áreas afetadas na região de Valência, insistiu o presidente regional, Carlos Mazón.

O governo enviou para Valência mais de mil soldados da Unidade Militar de Emergência, especializada em missões de salvamento, para apoiar os serviços de resgate locais e o Exército mobilizou equipes com cães para buscar corpos, necrotérios móveis e psicólogos para atender as vítimas.

Os cientistas alertam para o fato de os fenômenos meteorológicos extremos, como as ondas de calor e as tempestades, estarem se tornando mais intensos devido às mudanças climáticas.

“Estes fenômenos extremos podem ultrapassar a capacidade de resposta dos planos de emergência existentes, mesmo em um país relativamente rico como a Espanha”, disse Leslie Mabon, professora de Sistemas Ambientais na Universidade Aberta da Grã-Bretanha. (AFP)