Netanyahu discursa na ONU e faz alerta ao Irã
Delegações se retiraram em protesto contra primeiro-ministro de Israel
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, discursou na Assembleia-Geral da ONU pela primeira vez desde o início da guerra no Oriente Médio. Com uma assembleia esvaziada após a retirada de delegações em protesto, Netanyahu repetiu que vai continuar a campanha para destruir a milícia xiita Hezbollah, no Líbano, e ameaçou o Irã. “Se vocês nos atacarem, nós os atacaremos”, declarou.
Mais de uma vez no discurso, Netanyahu disse que o Irã é responsável pela crise no Oriente Médio e que Israel quer a paz. “Por muito tempo, o mundo apaziguou o Irã. Esse apaziguamento deve acabar”, disse.
Na ONU, Netanyahu retratou a derrota do Hezbollah como uma missão existencial para Israel e chamou o grupo de “um exército terrorista empoleirado em nossa fronteira norte”. Ele não mencionou a proposta de cessar-fogo para o conflito. “Continuaremos destruindo o Hezbollah até que todos os nossos objetivos sejam alcançados”, disse. O premiê discursou utilizando imagens, como fez em outras ocasiões.
Pouco depois do final de seu discurso, os militares israelenses anunciaram novos bombardeios contra o Hezbollah no sul do Líbano e um “bombardeio de precisão” no “quartel-general” do grupo na periferia sul de Beirute. O exército de Israel também pediu que os moradores de áreas da periferia sul de Beirute, reduto do Hezbollah, deixem suas casas.
Segundo a televisão israelense, o alvo destes ataques era o líder do movimento, Hasan Nasrallah. Duas pessoas morreram e 76 ficaram feridas neste ataque, segundo o ministério da Saúde libanês, mas uma fonte próxima ao grupo islamista pró-Irã afirmou que Nasrallah está “bem”.
Segundo a embaixada iraniana no Líbano, o ataque israelense constitui “uma escala perigosa”, que “muda as regras do jogo”. Em um comentário na rede X, a embaixada denunciou um “massacre” que, assegurou, “receberá um castigo justo”.
O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, fez um apelo à comunidade internacional, para que impeça Israel de lançar uma “guerra genocida” contra seu país.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, alertou na ONU que o Oriente Médio está à beira de uma “guerra total”, após os bombardeios de Israel contra o Hezbollah no Líbano. (Estadão Conteúdo e AFP)