‘Espiral da morte’ em Gaza assusta líderes da ONU

Guterres se diz "profundamente alarmado" com dimensão do conflito

Por Cruzeiro do Sul

O secretário-geral António Guterres: "Alarmado"

 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, e o alto comissário da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, ergueram suas vozes ontem (31) pedindo a suspensão da “espiral da morte” em Gaza com um cessar-fogo humanitário.

Guterres manifestou-se “profundamente alarmado com a intensificação do conflito entre Israel e Hamas e outros grupos armados palestinos em Gaza”, pois são os civis que estão pagando o preço, salientou, durante uma viagem ao monte Everest, no Nepal.

“Isso inclui a expansão das operações terrestres das forças militares israelenses, acompanhadas de ataques aéreos intensos, assim como o lançamento contínuo de foguetes a partir de Gaza em direção a Israel”, assegurou o chefe das Nações Unidas.

Da tribuna do Conselho de Segurança, do qual participou para falar da crise de refugiados no mundo, o alto comissário da ACNUR, Filippo Grandi, pediu um cessar-fogo humanitário para que a ajuda possa entrar na Faixa de Gaza, bloqueada por Israel após os atentados executados pelo Hamas em 7 de outubro em território israelense.

“Um cessar-fogo humanitário pode pelo menos parar esta espiral de morte”, disse, antes de implorar aos 15 membros do Conselho que “superem suas divisões e exerçam sua autoridade”, fazendo este apelo ante sua incapacidade de aprovar nenhuma das quatro resoluções apresentadas em menos de duas semanas. “As decisões que vocês tomam ou deixam de tomar marcarão todos nós, e as gerações futuras”, advertiu.

“O desprezo pelas regras básicas da guerra -- o direito humanitário internacional -- está se tornando cada vez mais a norma e não a exceção”, denunciou, ao se referir tanto aos ataques do Hamas contra civis israelenses quanto ao “massacre de civis palestinos e à destruição maciça de infraestruturas, causados pela atual operação militar israelense”.

Diante da ineficácia da ONU, o diretor do Alto Comissariado para Direitos Humanos, Craig Mokhiber, entregou o cargo nesta semana. E foi contundente ao expressar sua frustração com a atuação da ONU. Em carta enviada a Volker Turk, seu ex-chefe, ele classificou a situação na região como “genocídio”. E afirmou que a ONU se submeteu aos interesses e pressões dos Estados Unidos e ao lobby israelense.

Solução justa

Aos 1.400 mortos do Hamas em Israel se somam os mais de 8.500 palestinos -- 70% de crianças e mulheres -- que perderam a vida na Faixa de Gaza na resposta militar israelense, segundo dados das autoridades locais.

“Não haverá paz na região, nem no mundo, sem uma solução justa para o conflito israelense-palestino, que inclua o fim da ocupação israelense”, afirmou Grandi, fazendo uma advertência que tem se repetido nas últimas semanas. (Da Redação, com informações da AFP)