Putin ordena na Ucrânia cessar-fogo para Natal ortodoxo
O anúncio acontece depois que o patriarca da igreja ortodoxa russa Kirill, de 76 anos, pediu uma pausa
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou ontem (5), a aplicação de um cessar-fogo a suas tropas na Ucrânia hoje (6) e amanhã (7), por ocasião do Natal ortodoxo, um anúncio recebido com frieza por Kiev e seus aliados.
O anúncio acontece depois que o patriarca da igreja ortodoxa russa Kirill, de 76 anos, pediu uma pausa nos combates na véspera do Natal ortodoxo, que será comemorado no sábado.
“Em vista do chamado de Sua Santidade, o patriarca Kirill, instruo o ministro da Defesa da Rússia a introduzir um regime de cessar-fogo ao longo de toda linha de contato entre as partes na Ucrânia”, anunciou o Kremlin em nota. A trégua terá início às 12h locais (6h em Brasília) de hoje e vai até as 24h locais (18h em Brasília) de amanhã, acrescentou.
O anúncio de Putin foi recebido com frieza pelas autoridades ucranianas. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, garantiu que tratava-se de uma “desculpa para frear o avanço” das tropas de Kiev no Donbass e que serviria para o envio de “equipamentos, munição e aproximar tropas de nossas posições”. “Qual será o resultado? Mais mortes”, afirmou.
Mais cedo, o assessor da Presidência ucraniana, Mykhailo Podoliak, classificou o anúncio russo de ‘hipocrisia‘ e insistiu em que as tropas de Moscou deveriam abandonar a Ucrânia. ‘A Rússia deve deixar os territórios ocupados. Somente então haverá uma ‘trégua temporária’. Fique com sua hipocrisia”, tuitou.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, também não recebeu o anúncio com otimismo. Vladimir Putin “estava pronto para bombardear hospitais, creches e igrejas” no dia 25 de dezembro e no Ano Novo, criticou durante um discurso na Casa Branca. “Acredito que ele esteja buscando um pouco de oxigênio”, acrescentou.
A Alemanha afirmou que o cessar-fogo não garantiria mais “liberdade nem segurança às pessoas que vivem com medo diário sob a ocupação russa”. O Reino Unido insistiu em que Moscou deve retirar “permanentemente suas forças (...) do território ucraniano e acabar com os ataques bárbaros contra civis inocentes”. (AFP)