Rússia adverte EUA: ‘Estão jogando gasolina no fogo’
Kremlin mobiliza forças nucleares após Biden prometer mais armas à Ucrânia
A Rússia criticou ontem a decisão dos EUA de fornecer sistemas avançados de foguetes e munições para a Ucrânia, afirmando que Washington está “jogando gasolina no fogo”. Em resposta, Moscou mobilizou suas forças nucleares e alertou para o risco de um conflito direto entre as duas superpotências.
“Acreditamos que os EUA estejam deliberadamente jogando gasolina no fogo. Os EUA estão mantendo a linha de que lutarão contra a Rússia até o último ucraniano”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. Em viagem oficial à Arábia Saudita, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que o envio dos mísseis “aumentam o risco” de um terceiro país ser “sugado para o conflito”.
Na noite de terça-feira, o presidente americano, Joe Biden, anunciou que fornecerá sistemas modernos de armamento para que a Ucrânia “possa lutar no campo de batalha e estar na posição mais forte possível na mesa de negociações”.
Pouco depois, o Ministério da Defesa russo disse que suas forças nucleares realizariam exercícios na região de Ivanovo, segundo a agência Interfax, que não mencionou o envio de foguetes americanos à Ucrânia. Também sem citar a decisão americana, um oficial do alto escalão das Forças Armadas russas disse que testes com o míssil hipersônico Zircon foram concluídos e o armamento deve ser equipado em uma nova fragata da frota russa até o fim do ano.
Os sistemas de foguetes e munições estariam incluídos em um pacote de ajuda militar de US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,3 bilhões) que foi divulgado ontem (1º). O secretário de Estado americano, Antony Blinken, afirmou que a Ucrânia deu garantias de que não usará os mísseis Himars (abreviação de High Mobility Artillery Rocket System) contra alvos em território russo.
Ontem, o vice-chanceler da Rússia, Sergei Riabkov, disse à agência RIA Novosti que Moscou vê a ajuda militar dos EUA à Ucrânia “extremamente negativa”. De acordo com ele, existe risco de confronto direto com os americanos. “Quaisquer remessas de armas que continuem (a chegar à Ucrânia) aumentam os riscos de ampliar o conflito.”
Riabkov também culpou Washington pela escalada das hostilidades na Ucrânia. “Os EUA não fazem nada para encontrar algum tipo de solução. Foi exatamente o mesmo por muitos anos antes do início da operação militar especial”, disse. “Operação militar especial” foi o termo usado pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, ao anunciar a invasão, em 24 de fevereiro. (Estadão Conteúdo e Agências Internacionais)