Rússia promete reduzir ações militares na Ucrânia
Cético, Ocidente pede que países aliados não baixem a guarda
A Rússia se comprometeu ontem (29) com uma “desescalada” em torno das cidades de Kiev e Chernihiv, na Ucrânia, que viu sinais “positivos” na última reunião de negociação. Mas as potências ocidentais pediram para não baixar a guarda até verificar que Moscou está cumprindo com sua palavra.
O anúncio russo foi feito após uma reunião dos negociadores em Istambul, com o objetivo de buscar uma saída para um conflito que começou com a invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro e que já deixou milhares de mortos e milhões de deslocados.
O vice-ministro da Defesa da Rússia, Alexander Fomin, afirmou em Moscou que “as negociações sobre um acordo de neutralidade e o status não nuclear da Ucrânia entram em uma dimensão prática” e que a Rússia decidiu reduzir de maneira “radical” sua atividade militar em torno de Kiev, a capital do país, e Chernihiv, no norte.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que viu “sinais positivos” nas negociações de Istambul, mas garantiu que seu país não reduziria seus “esforços de defesa” diante da invasão russa.
O Estado-Maior ucraniano advertiu em um comunicado, ontem à noite, que “a chamada ‘retirada de tropas’ é provavelmente uma rotação de unidades individuais que busca confundir o comando militar” de Kiev.
Ceticismo ocidental
Os anúncios russos foram recebidos com ceticismo e receio pelas potências ocidentais, que após a invasão impuseram um arsenal de sanções econômicas à Rússia. Zelensky, por sua vez, pediu a esses países que mantenham a pressão “até que a guerra tenha acabado”.
Em uma conversa telefônica, os chefes de Estado e de governo do Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha e Itália pediram a seus aliados para não baixar a guarda.
Boris Johnson (Reino Unido), Joe Biden (EUA), Emmanuel Macron (França), Olaf Scholz (Alemanha) e Mario Draghi (Itália) “afirmaram sua determinação de continuar elevando os custos para a Rússia por seus ataques brutais na Ucrânia, assim como de continuar oferecendo à Ucrânia assistência em matéria de segurança para se defender”, diz um comunicado conjunto desses países.
“Veremos se (os russos) vão cumprir”, declarou Biden aos jornalistas. (AFP)