Biden quer expulsar Rússia do G20; emergentes são contra
Em outra frente, Reino Unido amplia lista de sanções econômicas a Moscou
O presidente dos EUA, Joe Biden, teve ontem uma agenda cheia em Bruxelas. Após três cúpulas -- G7, Otan e União Europeia --, ele propôs expulsar a Rússia do G20 e prometeu responder à altura caso Vladimir Putin decida usar armas químicas na Ucrânia. Biden também anunciou novas sanções a mais de 400 indivíduos e entidades russas, incluindo todos os membros da Duma (Parlamento russo).
O Reino Unido também ampliou suas sanções à Rússia, incorporando mais seis bancos, indústrias do setor de defesa, a maior produtora de diamantes do mundo e uma nova lista de oligarcas, empresários e cidadãos russos que terão ativos congelados e ficarão proibidos de entrar no país -- entre eles Polina Kovaleva, enteada do chanceler Serguei Lavrov. “Putin já cruzou a linha vermelha da barbárie”, disse o premiê britânico, Boris Johnson.
Os aliados ocidentais, no entanto, não trabalham apenas com sanções para isolar a Rússia. Ontem, Biden sugeriu expulsar os russos do G20, grupo que reúne as principais economias do mundo e inclui países emergentes. A manobra, no entanto, dificilmente seria aprovada, já que China, Índia, Indonésia e até o Brasil são contra. “Se não concordarem, acho que deveríamos permitir que a Ucrânia participe (do G20)”, disse Biden.
Durante os três encontros de ontem, os jornalistas tentaram tirar de Biden e de outros líderes europeus, incluindo o presidente francês, Emmanuel Macron, o que a Otan faria caso Putin use armas químicas ou nucleares na Ucrânia. “Responderemos se ele usar armas químicas. A natureza dessa resposta dependerá da natureza da sua utilização”, disse o presidente americano.
Nos últimos dias, declarações de ambos os lados fizeram aumentar o temor de que a Rússia possa usar armas químicas, biológicas ou nucleares. Em entrevista à emissora britânica Sky News, o vice-embaixador russo na ONU, Dmitri Polyanski, disse que seu país tem o direito de usar armas nucleares se for “provocado” pela Otan.
O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, prometeu ontem enviar à Ucrânia equipamentos de defesa contra ataques químicos ou nucleares. Os países da aliança também concordaram em fornecer aos ucranianos treinamento para lidar com um ataque russo com armas de destruição em massa.
Troca de presos
Ontem, em meio à hostilidade entre russos e ucranianos, os dois países anunciaram uma troca de prisioneiros de guerra. Segundo a vice-primeira-ministra da Ucrânia, Iryna Vereshchuk, foram dez soldados russos por dez ucranianos. De acordo com ela, 11 marinheiros russos resgatados perto da cidade de Odessa, no Mar Negro, também foram trocados por 19 tripulantes ucranianos detidos pela Rússia. (Estadão Conteúdo)