Otan enviará tropas ao Leste Europeu e promete mais apoio

Ucrânia anuncia acordo para nove corredores humanitários

Por Cruzeiro do Sul

Devastada, a cidade de Mariupol ficou de fora do acordo.

 

A Otan anunciou ontem (23) que dobrará sua presença militar em países do Leste Europeu, com o envio de tropas adicionais para Bulgária, Hungria, Romênia e Eslováquia. O objetivo é reforçar o flanco leste da aliança atlântica, em meio ao conflito entre Rússia e Ucrânia. A medida deve ser anunciada hoje durante uma cúpula que terá a presença do presidente americano, Joe Biden, que desembarcou ontem em Bruxelas.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, também prometeu ontem enviar ajuda à Ucrânia contra ameaças nucleares, químicas e cibernéticas por parte da Rússia. Segundo ele, os ucranianos receberão equipamento para proteger a população contra armas de destruição em massa.

“Espero que os aliados concordem em fornecer apoio adicional, incluindo assistência à segurança cibernética, bem como equipamentos para ajudar a Ucrânia a se proteger contra ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares”, disse Stoltenberg, durante coletiva antes da cúpula.

Questionado sobre a possibilidade de a Rússia usar armas nucleares, Stoltenberg afirmou que a Otan está preparada para se defender contra qualquer ameaça, mas fez uma advertência. “Uma guerra nuclear não pode ser vencida e nunca deve ser travada.”

A possibilidade de a Rússia usar algum tipo de arma de destruição em massa não parece mais tão absurda. Em um sinal de que a aliança ocidental vem se preparando para o pior, autoridades europeias confirmaram ontem ao New York Times que o bloco estava, ao lado de EUA, Reino Unido e Canadá, trabalhando em um novo pacote de sanções que entraria em vigor caso Moscou decida usar armas químicas ou biológicas na Ucrânia.

Corredores humanitários

A vice-primeira-ministra da Ucrânia, Irina Vereschuk, afirmou ontem que conseguiu um acordo para tentar retirar civis presos em vilas e cidades ucranianas em conflito. Nove corredores humanitários devem ser implementados no país. Entretanto, as negociações com a Rússia não alcançaram um consenso para estabelecer um corredor seguro do centro de Mariupol, onde os conflitos da guerra são mais sangrentos.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em seu discurso noturno da terça-feira (22), afirmou que os esforços para estabelecer os corredores humanitários para os moradores de Mariupol estão quase todos “frustrados pelos ocupantes russos, por bombardeio ou terror deliberado”. (AFP)