Kiev e Mariupol resistem ao avanço das tropas russas
EUA temem que Moscou passe a usar armas químicas ou biológicas
Kiev, sob toque de recolher, está determinada a resistir ao ataque das tropas russas, que também mantêm o assédio sobre Mariupol, no sudeste da Ucrânia, atacada ontem (22) com duas “bombas superpoderosas”.
O avanço russo a Kiev parece estagnado, segundo analistas ocidentais e ucranianos. O presidente americano, Joe Biden, expressou temor com a possibilidade de Moscou aumentar a força dos ataques, recorrendo a armas químicas ou biológicas.
As potências ocidentais, relutantes em se envolver diretamente no conflito, por medo de desencadear uma guerra global, se preparam para reforçar as sanções econômicas contra a Rússia.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia só usará armas nucleares no contexto da guerra na Ucrânia se enfrentar uma “ameaça existencial”.
“Temos uma doutrina de segurança interna, e ela é pública, você pode ler nela todas as razões para o uso de armas nucleares”, declarou Peskov à CNN International. “Se é uma ameaça existencial ao nosso país, então pode ser usado de acordo com nossa doutrina”.
Mais de 200.000 pessoas estão bloqueadas em Mariupol, descrita por aqueles que conseguiram fugir como um “inferno gelado repleto de cadáveres e edifícios destruídos”, afirmou a organização Human Rights Watch, que citou um balanço divulgado por um funcionário do governo local.
“Sabemos que não haverá espaço suficiente para todos nesta terça-feira (22), mas vamos tentar concretizar a retirada até a saída de todos os habitantes de Mariupol”, disse a vice-primeira-ministra Iryna Vereschuk.
Duas “bombas superpoderosas” caíram na cidade, indicaram as autoridades locais, sem publicar um balanço imediato dos danos. As forças russas “não estão interessadas na cidade de Mariupol, querem arrasá-la, reduzi-la a cinzas”, afirmaram as autoridades.
Para a evacuação foram elaboradas três rotas entre a cidade e Zaporizhzhia, a mais de 200 km de distância. A localidade, às margens do Mar de Azov, é bombardeada sem trégua e mais de 2.000 pessoas morreram, segundo as autoridades locais.
A Rússia anunciou que Mariupol tinha até 5h de segunda-feira para rendição, mas a Ucrânia rejeitou o ultimato e afirmou que a resistência na cidade fortaleceu a defesa de toda a Ucrânia.
Vigília pela paz
Em Bruxelas, na Bélgica, manifestantes e ativistas fizeram uma vigília ao redor de um gigantesco sinal de paz, perto da sede ucraniana da União Europeia (UE). Eles pedem aos líderes da UE que imponham uma proibição total aos combustíveis russos. (AFP)