Sky e Giga+ (ex-Alloha) negociam fusão e podem criar quarta maior do setor

Uma eventual combinação das empresas formaria o quarto maior grupo do segmento no Brasil

Por Da Redação com Estadão Conteúdo

Sky

A holding Waiken, dona da Sky, e a gestora de investimentos Eb Capital, dona da Giga+ (ex-Alloha Fibra), estão negociando a fusão das suas empresas de internet e conteúdo audiovisual, segundo informações do jornal Estadão, apuradas com três fontes de mercado. Procuradas, as empresas não fizeram comentários.

Se confirmada, a transação dará origem a um dos maiores grupos de telecomunicações no País, além de abrir um novo ciclo de fusões e aquisições. O ganho de escala se tornou o nome do jogo no setor. Neste momento, várias empresas estão retomando os planos de combinação de negócios que ficaram congelados.

De um lado, a Sky está passando por uma transformação profunda. A empresa, sinônimo de TV por assinatura no Brasil, virou a chave para se tornar uma provedora de banda larga fixa e internet móvel. Em paralelo, segue impulsionando a sua plataforma Sky+, que combina o conteúdo de TV paga com streamings de vídeo, via parcerias com Amazon Prime, HBO Max e Disney.

A Waiken pertence ao grupo Werthein, com sede em Buenos Aires. Aqui no Brasil, a holding tem feito grandes investimentos para crescer, sendo dona ainda do provedor Zaaz. Juntos, Sky e Zaaz têm 508 mil clientes no Nordeste e nos Estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, conforme dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Por sua vez, a Giga+ é a marca institucional e comercial que, a partir deste mês, passou a valer para todos os negócios da Alloha Fibra, investida da Eb Capital. A Giga+ nasceu a partir de mais de uma dezena de aquisições de provedores ao longo dos últimos anos. Ao todo, tem 1,3 milhão de assinantes em 860 cidades de 22 estados.

Uma eventual combinação de Giga+ com Sky e Zaaz formaria um grupo com 1,8 milhão de clientes, quarto maior do Brasil, ficando atrás somente de Claro (10,8 milhões), Vivo (8,5 milhões) e Nio, a antiga Oi Fibra (3,4 milhões).

Disputa por clientes

A disputa por clientes está grande no setor de banda larga, com pouco espaço para os provedores subirem os valores dos planos. Além disso, muitos clientes trocam de provedor anualmente. O endividamento de alguns grupos também se tornou um ponto de atenção, com dispêndio elevado do caixa para fazer frente ao pagamento dos juros.

Nesse cenário, as fusões tendem a surgir como uma alternativa para as empresas ampliarem a base de clientes e o faturamento, ao mesmo tempo em que diluem as despesas relacionadas a manutenção das redes, propaganda, equipamentos e investimentos.

O grande exemplo que abriu esse ciclo foi a combinação dos negócios entre a Vero e Americanet, em 2023. Depois de muito tempo sem grandes transações, o setor teve, neste ano, a Claro comprando a Desktop, maior provedor do Estado de São Paulo. (Da Redação, com Estadão Conteúdo)