IPCA de setembro fica acima do esperado
Inflação oficial do mês foi de 0,82%, ante uma queda de 0,32% em agosto
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro ficou em 0,82%, 1,14 ponto porcentual (p.p.) acima da queda de 0,32% registrada em agosto, divulgou ontem (9) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado ficou acima do esperado. Segundo a mediana das estimativas do mercado medidas pela pesquisa Projeções Broadcast, o IPCA de setembro deveria acelerar para 0,76%. As projeções, todas de alta, iam de 0,57% a 0,83%.
A saída do bônus de Itaipu na conta de energia e a recomposição dos preços de alimentos sustentaram a alta do índice.
No ano, o IPCA acumula alta de 3,95% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,58%, acima dos 4,22% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2025, a variação havia sido de 0,48%.
Todos os grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram variação positiva no mês, com a habitação registrando a maior alta e impacto (2,31% e 0,35 p.p.), seguida de transportes (0,89%) e alimentação e bebidas (0,83%). Com alta de 7,89% em setembro, a energia elétrica residencial representou o principal impacto individual para o IPCA no mês (0,32 p.p.). O item energia elétrica é incluído no grupo habitação.
Alimentos
Depois de três meses seguidos de queda, o grupo alimentação e bebidas subiu em setembro. A alimentação no domicílio ficou 0,96% mais cara. As principais altas foram do tomate (37,76%), batata-inglesa (24,07%), cebola (10,14%), arroz (4,56%) e carnes (0,63%).
Do lado das quedas, destacam-se frango inteiro (-1,96%), frango em pedaço (-1,41%) e frutas (-1,12%).
Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE, explica que a volta da aumento de preços dos alimentos se deve a questões de oferta, ou seja, menos produção de alimentos. Ele cita questões climáticas, como mais frio e chuva.
"Sem chuva e sem sol na medida certa, a gente acaba tendo alguma influência que chega no bolso do consumidor", complementa ele, que não confirma que os efeitos climáticos já sejam impacto do fenômeno El Niño, aquecimento irregular de parte do oceano Pacífico. (Estadão Conteúdo e Agência Brasil)