Para Abras, proibição das bets foi tardia
O vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Márcio Milan, afirmou que a decisão do governo federal de proibir apostas esportivas veio tarde e defendeu que as restrições sejam acompanhadas de campanhas de conscientização ao consumidor. "Ao nosso ver, essa decisão do governo foi um pouco tardia", disse ontem (1º), em coletiva de imprensa.
Segundo ele, a Abras começou há mais de um ano a alertar o governo sobre os efeitos das apostas no orçamento das famílias. A entidade defendia regras mais rígidas de propaganda e tributação, mas avalia que as medidas adotadas não foram suficientes para reduzir as apostas. "No fundo, ela disputa a renda disponível das famílias", afirmou.
Milan disse que a preocupação da Abras vai além do impacto sobre o consumo e envolve riscos financeiros, sociais e de saúde.
Na avaliação dele, enquanto o setor supermercadista vende alimentação, qualidade de vida e saúde, as bets poderiam trazer uma "doença social".
Ele acrescentou que a proibição isolada não resolve o problema e pode abrir espaço para o mercado ilegal. Por isso, defende campanhas de conscientização nos moldes das ações antitabagismo. (Estadão Conteúdo)