Salles desiste do Senado para apoiar Derrite e André
Anúncio foi feito ao lado do governador de Sâo Paulo, Tarcísio de Freitas
O deputado federal Ricardo Salles (Novo) desistiu da candidatura ao Senado de São Paulo. O anúncio foi feito ao lado do governador do Estado, Tarcísio de Freitas, em ato com jornalistas na manhã de ontem (28). Os candidatos Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), apoiados por Tarcísio na corrida ao Senado, também estavam presentes.
“Quando uma pessoa resolve abrir mão de uma posição, a gente tem que enaltecer. E hoje a gente tem o Ricardo Salles, que tinha toda legitimidade para continuar na sua caminhada — tem trajetória, tem bagagem, tem história — dando um passo ao lado para nos ajudar, para somar. Esse momento é o momento de somar, não é o momento de dividir. É o momento de a gente pensar no objetivo maior, que é vencer as eleições, ter dois representantes no Senado”, afirmou Tarcísio.
Ao justificar a desistência, Salles disse que o momento que o País vive, com a possível vitória de Lula, exige deixar as diferenças de lado. “É importante dar sinais para a sociedade para a gente entender que o momento é tão grave que diferenças, opiniões diferentes, têm que ser deixadas de lado justamente porque o risco de uma catástrofe de uma reeleição do presidente Lula é muito grande e o País não merece isso. Portanto, questões pessoais, opiniões diferentes, tudo isso fica menor diante de um objetivo maior”, afirmou.
A desistência de Salles ocorre em um momento em que o deputado aparecia atrás nas pesquisas e enfrentava uma pressão crescente pelo voto útil em favor de Prado.
O ex-ministro do Meio Ambiente fez uma campanha marcada por ataques ao candidato do PL apoiado por Tarcísio. Ele já afirmou, por exemplo, que o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) “não representa a direita”, faz parte do Centrão e é uma “marionete” do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
A saída de Salles da disputa envolveu uma articulação direta de Tarcísio, para quem a fragmentação da direita poderia favorecer as candidatas da esquerda, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).
Quinto nas pesquisas
De acordo com a última pesquisa do instituto Datafolha divulgada na quinta-feira, 24, Salles era o quinto colocado na disputa, com 4% das intenções de voto. A candidata Marina Silva (Rede) aparecia numericamente na frente, com 15% das intenções de voto. Simone Tebet (PSB) tinha 14%, enquanto Derrite e André do Prado pontuaram 12% cada.
Os quatro estavam em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), presente em ato de campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) em São Paulo, disse que a decisão de Salles de sair da disputa foi um “ato de grandeza”. “Agiu corretamente porque assim não divide os votos da direita”, afirmou. Salles foi um dos sete participantes do debate entre candidatos ao Senado promovido pelo Estadão em parceria com a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) no dia 23 de setembro.
Durante o programa, o candidato marcou posição à direita, mas criticou o PL e André do Prado, a quem chamou de “marionete do Valdemar Costa Neto”, presidente do partido.
Durante o embate, Salles chegou a dizer que Derrite era o único outro candidato de direita na disputa. Como mostrado pelo Estadão, a decisão de lançar Prado ao Senado partiu do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e abriu um racha no bolsonarismo. Parte da militância criticou a aposta em um nome não ideológico e ligado umbilicalmente a Valdemar. Salles, naquele momento pressionado a desistir da então pré-candidatura ao Senado, chamou de “vergonhoso” o apoio de Eduardo ao presidente da Alesp, a quem apelidou de “filhote do Valdemar”.