Prévia da inflação de setembro fica em 0,7%

Por Estadão Conteúdo e Agência Brasil

Famílias pagam adicional de R$ 7,87 na energia

A prévia da inflação oficial de setembro ficou em 0,70%, a maior desde abril (0,89%). O resultado é uma inversão da deflação (inflação negativa) de agosto, que ficou em -0,40%.

A explicação principal da aceleração está na devolução do bônus de Itaipu, desconto que os consumidores tiveram na conta de luz do mês anterior.

Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado ontem (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A alta no grupamento habitação, o que mais pressionou a prévia, é explicada pela energia elétrica residencial, que subiu 7,42% em setembro, representando o maior impacto individual do índice (0,29 p.p.).

Isso aconteceu porque em agosto, a conta de luz tinha caído 6,25%, beneficiada pelo Bônus Itaipu.

O bônus consiste na distribuição do saldo positivo da conta de comercialização de Itaipu, hidrelétrica binacional, que vira crédito nas contas de energia.

Alimentos e bebidas

De acordo com o IBGE, a retomada da pressão da alimentação no domicílio, que subiu 0,38% em setembro após queda de 0,97% em agosto, contribuiu para a alta mensal de 0,40% no grupo alimentação e bebidas.

O avanço foi puxado por aumentos no tomate (20,76%), arroz (2,39%) e carnes (1,30%), enquanto feijão carioca (-6,33%), cebola (-4,41%) e café moído (-1,36%) ajudaram a conter o resultado.

Também houve aceleração na alimentação fora do domicílio (0,44%). A alta da refeição passou de 0,25% em agosto para 0,38% em setembro, e o lanche desacelerou, de 0,75% para 0,44%.

No grupo transportes, houve alta de 0,60% em setembro de 2026, com impacto de 0,12 p.p.

A principal influência foi passagens aéreas, que subiram 9,82% ante o mês anterior. Entre os combustíveis (0,22%), houve aumento em gás veicular (1,56%) e gasolina (0,30%), com quedas em óleo diesel (-0,78%) e etanol (-0,22%).

O IPCA-15 acumula alta de 3,82% no ano, e de 4,47% em 12 meses. Com isso, se aproximou do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central para o indicador oficial de inflação do país, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também calculado pelo IBGE.

Para o cálculo do IPCA-15, o IBGE coletou preços entre 15 de agosto e 15 de setembro de 2026 e comparou com os vigentes de 16 de julho a 14 de agosto de 2026. (Estadão Conteúdo e Agência Brasil)