Inflação recua para 0,07% em julho

IPCA contabiliza alta de 4,44% em 12 meses, porcentual abaixo do teto da meta do Banco Central

Por Estadão Conteúdo e Agência Brasil

Condições climáticas favoreceram a oferta de alimentos, que tiveram redução no preço

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou julho com alta de 0,07%, ante um avanço de 0,16% em junho, informou ontem (11) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No acumulado de 12 meses, o IPCA contabiliza alta de 4,44%, porcentual abaixo do teto da meta do Banco Central, de 4,50%.

Os alimentos ficaram mais baratos no mês de julho e ajudaram a inflação oficial a perder força pelo quarto mês seguido. O resultado foi influenciado pela alimentação no domicílio (-1,14%), enquanto a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho.

O gerente de pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, atribuiu a queda nos preços dos alimentos a uma oferta maior de produtos in natura, favorecida por condições climáticas mais propícias em parte do período, o que teria impulsionado produção e escoamento. "O clima, em algum momento, ficou mais favorável. Trouxe uma oferta maior, fazendo impacto na redução dos preços", disse.

Quanto ao movimento de aceleração de alimentação fora do domicílio, Gonçalves avaliou que o avanço pode refletir pressão de demanda típica das férias e também custos indiretos. "Pode ter uma pressão de demanda por conta do período de férias", afirmou.

O El Niño e as mudanças climáticas representam um risco relevante para o comportamento futuro dos preços de alimentos no Brasil, afirmou Fernando Gonçalves. O pesquisador ponderou, no entanto, que ainda não é possível quantificar o impacto sobre o IPCA.

Segundo ele, o fenômeno altera padrões de chuva e temperatura, podendo comprometer lavouras, dependendo de onde se concentrem excesso de precipitação ou seca.

Gonçalves disse que é preciso acompanhar como o evento vai se desdobrar, citando que alterações no clima podem afetar a produção e, consequentemente, a oferta. "O El Niño traz uma alteração nesses padrões de chuvas", afirmou.

Ao lembrar episódios recentes, o pesquisador apontou que em 2024 também houve El Niño, com reflexos sobre alimentação, incluindo café e carnes em determinados momentos.

Energia

A alta da energia elétrica foi o principal fator de pressão no IPC) de julho, mas o quadro pode mudar no mês que vem com a entrada do bônus de Itaipu. Fernando Gonçalves, afirmou que a apropriação do bônus em agosto tende a reduzir a conta de luz e gerar pressão negativa sobre o índice, embora o efeito seja temporário.

A energia elétrica ficou 3,09% mais cara em julho, exercendo o principal impacto individual de alta no mês (0,13 p.p.). (Estadão Conteúdo e Agência Brasil)