Presidente do Bradesco vê espaço para mais redução da taxa de juros

Por Estadão Conteúdo

Setor industrial diz que corte da Selic é insuficiente

O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, vê espaço para novas quedas de taxa de juros pela frente. "Não há porque o Copom não cortar mais os juros", disse em conversa com jornalistas ontem (6).

Em sua visão, Noronha ressalta que o Copom está sendo conservador. Na quarta-feira (5), cortou os juros em mais 0,25 ponto porcentual. "Minha expectativa é de que os juros caíam na próxima reunião do BC."

Ao falar da estratégia do banco nos cartões de crédito, Noronha ressaltou que o foco do Bradesco para crescer é no público de maior renda. "Estamos reduzindo crédito pessoal e avançando no consignado."

CNI

O Copom acertou ao reduzir a taxa de juros, mas o corte não é suficiente para aliviar os desafios do setor produtivo, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

"Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo", afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

O executivo lembrou ainda que o crédito caro compromete a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência.

Alban destaca que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. "A Selic está 3,6 pontos porcentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor - estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia."

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, enfatizou ontem que a taxa de juros no nível em que está é um problema na economia brasileira. "Nós estamos com um problema na economia brasileira que é a taxa de juros e quanto isso afeta o endividamento, seja público, seja privado. O compromisso do governo é fazer todo o possível dentro do ponto de vista fiscal — que é o que está mais próximo — para endereçar essa questão dos juros no próximo mandato. O juro machuca muito a economia brasileira como um todo, não só o governo", disse, em entrevista à GloboNews.

Questionado se haveria uma má vontade do mercado financeiro ao estabelecer a taxa de juros futuro, Durigan disse que não reputa o cenário atual a uma má vontade, mas sim ao grau de incerteza elevado e uma certa ansiedade com o momento de eleição.

"Nós estamos falando de o mercado comprar títulos de longo prazo, estamos falando de títulos de três, cinco e dez anos e essa projeção de futuro que hoje está em jogo", disse Durigan. (Estadão Conteúdo)