IPCA-15 favorece novo corte na taxa de juros
Prévia da inflação de julho, de 0,06%, ficou abaixo das expectativas de economistas
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de julho reforça a leitura, entre economistas, de uma nova redução nos juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto. A alta de 0,06% em julho, desacelerando após ter subido 0,41% em junho, não só ficou abaixo da mediana das estimativas (0,21%) da pesquisa Projeções Broadcast, como rompeu o piso das expectativas, que era de 0,17%. O teto projetado era de 0,28%.
Na avaliação do BGC Liquidez, o resultado divulgado ontem (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirma o bom momento da inflação, apesar da guerra entre Estados Unidos e Irã. Mesmo no cenário geopolítico, não houve "nenhum efeito de segunda ordem relevante".
Para a Capital Economics, o número reforça o argumento em prol de mais um corte de 0,25 ponto percentual. "Acreditamos que o ciclo de flexibilização se tornará mais intermitente, com potencial para mais um corte de 0,25 ponto nas três reuniões restantes do ano, levando a Selic para 13,75% ao fim do ano", projeta a consultoria.
A leitura benigna é compartilhada pela economista do BNP Paribas, Laiz Carvalho, que destaca que o qualitativo do índice foi "muito bom", favorecendo a expectativa de corte. Embora a projeção oficial da instituição ainda preveja a manutenção da taxa, Carvalho ressalta que o resultado cria um viés de revisão. "Vamos aguardar os dados de mercado de trabalho e de crédito no final da semana, mas o resultado de hoje (terça-feira, 28) é muito positivo", afirma. prazo.
Alimentos
O principal motor do arrefecimento do índice foi o grupo de alimentação e bebidas, que registrou queda de 0,66% em julho, ante a alta de 0,74% observada no mês anterior.
A deflação na alimentação no domicílio (-1,14%), apontam os economistas da Terra Investimentos, João Maurício Rosal, Homero Guizzo e Luís Bettoni, foi mais acentuada que a esperada, com surpresas generalizadas de alívio dentro desse grupo.
A economista da XP Inc., Basiliki Litvac, pontua que a desaceleração do indicador já estava no radar, mas veio mais intensa e com desvios de baixa disseminados em sua composição. Além da queda nos alimentos, ela destaca que os bens industriais ajudaram a puxar o índice para baixo, com resfriamento nos itens de vestuário, artigos de residência e bens duráveis.
Combustíveis
O grupo de transportes subiu 0,11% em julho, após cair 0,03% em junho, reflexo da alta de 11,70% da passagem aérea. Por outro lado, os combustíveis caíram 0,90%, com todos apresentando queda: etanol (-2,50%), óleo diesel (-1,32%), gás veicular (-0,97%) e gasolina (-0,68%).
Apesar da alta na margem, o segmento foi o maior destaque para puxar o índice para baixo na análise do BNP Paribas. A gasolina superou a estimativa inicial do banco (que projetava uma queda mais próxima a 0,20%) e as passagens aéreas, altamente voláteis, subiram abaixo da estimativa da casa, que esperava um salto de 15%. (Estadão Conteúdo)