Governo dos EUA poderá anunciar nova tarifa de 12,5%

Presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, avalia impacto da taxação de 25%

Por Da Redação com Estadão Conteúdo

Sobretaxa deve atingir US$ 7,2 bi das vendas para os EUA

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, considera que o governo americano pode fazer um anúncio sobre a nova tarifa de 12,5% que pode ser aplicada sobre produtos brasileiros, devido a práticas associadas ao trabalho forçado, na próxima semana.

"Parece que haverá alguma manifestação do governo americano na semana que vem sobre esse assunto, vamos ver", disse ontem (17) Müller, durante entrevista coletiva sobre as tarifas americanas. "Nós não temos outra alternativa, pelo menos não como agência de promoção de exportações, a não ser de seguir preparando as nossas empresas, seguir buscando novos mercados."

O presidente da ApexBrasil comentou o impacto consolidado da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros anunciada pelos EUA na noite de quarta-feira (15), após a conclusão de uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.

Müller classificou as novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros como uma medida "absurda do ponto de vista comercial." Segundo ele, a sobretaxa de 25% vai atingir US$ 7,2 bilhões das vendas aos EUA, de um total de US$ 38 bilhões. "Ela não tem nenhuma lógica com quem trabalha com o comércio internacional", disse Müller, durante entrevista coletiva sobre as tarifas.

Entidades e empresas americanas que fazem comércio com o Brasil trabalharam para a isenção de produtos brasileiros ao tarifaço, segundo o presidente da ApexBrasi. A nova taxação foi anunciada pelos EUA na noite da última quarta-feira, 15, após a conclusão de uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.

São Paulo

Segundo Müller, São Paulo é o Estado com maior impacto do tarifaço em termos absolutos, com 20% da exportação para os EUA afetada, o equivalente a US$ 3 bilhões. Santa Catarina tem 65% das exportações afetadas.

O presidente da ApexBrasil afirmou que haverá atenção especial a setores tarifados pelos EUA e com benefício tarifário na União Europeia (UE), com redução de tarifas decorrente do acordo do bloco com o Mercosul.

Apesar do cenário de diversificação de mercados, Müller disse que o mercado americano continua sendo importante para o Brasil. "É importante para as empresas brasileiras e o Brasil é importante para as empresas americanas. Então, nós vamos seguir trabalhando, preparando as empresas, oferecendo as oportunidades e levando as empresas para o mundo, que é o que a gente faz", afirmou.

A lista de exceções à nova tarifa veio com uma ampla relação de itens isentos, dentre eles celulose, petróleo bruto e gás natural, bem como aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais. Além disso, a medida não traz novidades para o setor siderúrgico, que segue taxado em 50% para exportações aos EUA.

Contexto internacional

O presidente da ApexBrasil também afirmou que todos os países do mundo têm se reposicionado em um contexto de comércio internacional mais instável.

"A gente vê um reposicionamento de todos os países, a China também está se reposicionando", observou. Ele destacou que o Brasil já é o principal destino dos investimentos chineses e disse que, junto com o acordo do Mercosul com a UE, está clara uma reconfiguração geopolítica internacional. (Da Redação com Estadão Conteúdo)