Setor industrial prevê perdas nas exportações

Fiesp discorda das negociações com os EUA conduzidas pelo governo federal

Por Da Redação com Estadão Conteúdo

Abicalçados considera queda maior nas vendas externas

Entidades do setor industrial se posicionaram frente à confirmação da tarifa de importação de 25% para produtos brasileiros. Em nota, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) diz que lamenta a aplicação de uma nova sobretaxa às exportações de produtos brasileiros ao mercado americano. A entidade destaca que a decisão é especialmente prejudicial por ser aplicada de forma unilateral, o que reduz significativamente a competitividade do País perante concorrentes globais, e critica também a postura do governo brasileiro.

"Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral", diz a nota.

Ainda de acordo com a entidade, "a retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática, como buscou a Fiesp durante as audiências públicas nos EUA em outras oportunidades no último ano".

"O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo 'pedágio' imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios", disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que acompanha com preocupação a nova rodada de tarifas sobre exportações brasileiras. Segundo a entidade, a sobretaxa agrava um cenário e amplia a insegurança para empresas dos dois países.

"Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 Estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram", afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) manifestou preocupação. Com a nova tarifa, a associação revisou sua projeção para as exportações totais de calçados em 2026, estimando queda média de 7,1%, piora de 3,5 pontos porcentuais em relação à previsão anterior, de retração de 3,6%.

"A aplicação desta tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40%, em fevereiro deste ano", afirmou o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira.

As exportações brasileiras para o mercado norte-americano diminuíram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões, desde 2025 com o tarifaço. A retração foi influenciada pela redução de 8,7% nas vendas de bens industriais. Apesar da queda, os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira no período. (Da Redação com Estadão Conteúdo)