Brasil e Paraguai tentam avançar sobre nova hidrovia

Por Da Redação com Estadão Conteúdo

Ligação pelos rios pretende reduzir custos e alivar portos de Santos e Paranaguá

O Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor) informou que sua equipe técnica irá se reunir com a do Paraguai para uma nova reunião a fim de avançar com as tratativas do leilão da hidrovia do rio Paraguai. Como o canal abrange o território dos países, e da Bolívia, os três precisam estar de acordo para o avanço do projeto.

"Foi reafirmado o interesse mútuo em dar prosseguimento ao processo de concessão e acordada a realização de uma nova reunião técnica no fim deste mês para avançar nas tratativas", afirmou a pasta por meio da nota.

Uma reunião bilateral foi realizada na semana passada, durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em Assunção, no Paraguai.

Após a conclusão das negociações técnicas e a definição dos ajustes necessários no projeto, o governo pretende avançar com as etapas regulatórias e administrativas que antecedem a publicação do edital. Esse seria o primeiro leilão de hidrovias realizado pelo Brasil.

Pelo cronograma oficial apresentado pela Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação em maio, o edital da concessão da Hidrovia deve ser publicado no segundo semestre de 2026, enquanto o leilão estava previsto para o primeiro semestre de 2027.

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, afirmou no fim de junho que o governo pretende lançar o edital entre o segundo semestre deste ano e o início de 2027, ressaltando que a definição depende do avanço das negociações com Paraguai e Bolívia.

A iniciativa é tratada pelo governo como um dos projetos mais relevantes da agenda de hidrovias e pode abrir caminho para novos modelos de concessão voltados à gestão da infraestrutura de navegação interior no País.

Mercosul

A hidrovia do rio Paraguai é considerado um eixo logístico vital no Mercosul, com cerca de 600 km de extensão navegável em território brasileiro, no Mato Grosso do Sul. Crucial para o escoamento de minério de ferro e commodities agrícolas do Centro-Oeste, conecta o interior do continente ao Oceano Atlântico.

A intenção é reduzir o custo do frete, desafogando rodovias e portos tradicionais como Santos, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná.

Por ser uma hidrovia internacional, que atravessa territórios de diferentes países, a concessão depende de análises técnicas e entendimentos diplomáticos. (Da Redação, com Estadão Conteúdo)