Recorde de inadimplência acende alerta para empresas

Levantamento da Serasa Experian aponta 8,9 milhões de empresas com dívidas em atraso no fim de 2025; micro e pequenas empresas concentram maior parte dos casos

Por Da Redação

Criminosos tentam golpes com a renegociação de dívidas

O Brasil encerrou 2025 com o maior número de empresas inadimplentes da série histórica da Serasa Experian. Segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas, 8,9 milhões de CNPJs estavam negativados ao fim do ano, acumulando R$ 213 bilhões em dívidas. Na comparação com dezembro de 2024, o número de empresas em situação de inadimplência aumentou em aproximadamente dois milhões.

As micro e pequenas empresas concentram a maior parte dos casos, somando cerca de 8,5 milhões de CNPJs inadimplentes. O setor de serviços lidera o ranking, respondendo por 55,2% das empresas negativadas.

Para o advogado especializado em Direito Bancário, João Marques, o cenário é resultado de uma combinação de fatores econômicos e estruturais que afetam principalmente os pequenos negócios. Segundo ele, essas empresas costumam enfrentar maior dificuldade para acessar crédito com custos menores, possuem menos reservas financeiras e menor poder de negociação com as instituições bancárias.

"O uso frequente do cheque especial ou do cartão corporativo para custear despesas fixas, a contratação de novas dívidas para pagar antigas, atrasos prolongados com fornecedores e a existência de execuções judiciais são sinais claros de que a reorganização financeira e jurídica deixou de ser uma alternativa e se tornou uma necessidade", afirma.

O especialista observa que muitos empresários só percebem a gravidade da situação quando a capacidade financeira da empresa já está comprometida. De acordo com ele, quando o pagamento das dívidas passa a consumir uma parcela significativa do faturamento líquido mensal, a empresa deixa de direcionar recursos para o crescimento e passa a concentrar esforços apenas na quitação de débitos.

Outro ponto destacado por Marques é a necessidade de atenção aos contratos bancários. Ele lembra que está em andamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ) o julgamento do Tema Repetitivo 1.378, que deverá estabelecer critérios para definir quando a cobrança de juros remuneratórios pode ser considerada abusiva em operações de crédito empresarial.

"Esse julgamento é estratégico porque vai redefinir o padrão probatório exigido em todo o país. Empresários que possuem ações revisionais em andamento ou pretendem discutir contratos bancários precisam acompanhar esse tema com atenção", explica.

Mesmo quando a inadimplência já está instalada, ainda há alternativas para reduzir os impactos financeiros. Segundo o advogado, a negociação com instituições financeiras e a adesão a programas de parcelamento de débitos tributários podem representar oportunidades para reorganizar as contas e evitar o agravamento da situação.

Para ele, agir rapidamente diante dos primeiros sinais de dificuldade financeira amplia as possibilidades de negociação e reduz os riscos de medidas mais severas, como protestos e execuções judiciais.