Economia da China perde força no segundo trimestre

Por Cruzeiro do Sul

Guerra no Oriente Médio causa impacto energético

A economia da China perdeu força de forma inesperada no início do segundo trimestre, mas isso provavelmente não será suficiente para levar as autoridades a lançar novos estímulos, segundo analistas.

Dados divulgados no começo da semana passada mostraram que o crescimento das vendas no varejo em abril desacelerou para o ritmo mais fraco desde 2022, sinalizando uma demanda anêmica. O crescimento da produção industrial arrefeceu para o menor ritmo em quase três anos, enquanto o investimento em ativos fixos nos quatro primeiros meses de 2026 voltou a entrar em contração.

O choque do petróleo provocado pelo conflito no Oriente Médio está ampliando a pressão sobre a economia chinesa, disseram economistas do Barclays, reforçando uma chamada recuperação em “K”, marcada por crescimento bastante desigual.

Ainda assim, com as exportações permanecendo fortes e um desempenho sólido no primeiro trimestre já registrado, economistas esperam que Pequim sinta pouca urgência em oferecer apoio adicional à economia.

“Os formuladores de política provavelmente não reagirão com mais estímulo após apenas um mês de dados fracos, especialmente quando os mercados de trabalho e imobiliário mostram ao menos alguns sinais de melhora”, disse He Wei, economista da Gavekal Dragonomics.

Os “sinais verdes” que surgem em partes da economia são vistos como frágeis por alguns analistas, particularmente se o conflito no Oriente Médio voltar a se intensificar ou se prolongar, prejudicando a demanda global e elevando a inflação pelo lado da oferta.

A China ainda parece no caminho para cumprir sua meta anual de crescimento de 4,5% a 5% neste ano, mas o cenário segue altamente incerto e o impacto total da crise energética provocada pela guerra ainda não foi sentido.

Nesse contexto, as autoridades devem estar optando por manter “munição” de política econômica em reserva, para preservar espaço de manobra caso haja uma desaceleração mais forte mais adiante neste ano. (Estadão Conteúdo)