Guerra afeta preço dos alimentos e combustíveis

IPCA de abril avançou 0,67% ante 0,88% em março

Por Cruzeiro do Sul

Aumento da gasolina foi o que mais pressionou a inflação

A guerra no Oriente Médio voltou a afetar em abril os preços de alguns itens no Brasil, como combustíveis e alimentos, segundo Fernando Gonçalves, gerente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A inflação oficial do mês passado foi de 0,67%, ante um avanço de 0,88% em março. A taxa acumulada ficou em 2,60%. O resultado acumulado em 12 meses foi de 4,39% até abril, ante taxa de 4,14% até março.

Como efeito mais direto da guerra, houve elevação no custo da gasolina, após já ter subido em março, lembrou o pesquisador.

O aumento de 1,86% na gasolina em abril exerceu a maior pressão sobre a inflação oficial no País, uma contribuição de 0,10 ponto porcentual. O diesel avançou 4,46%, e o etanol subiu 0,62%, enquanto o gás veicular recuou 1,24%. Na média, os combustíveis encareceram 1,80% em abril.

“O diesel acaba tendo pressão também porque é combustível do caminhão, que faz transporte dos produtos para as prateleiras”, lembrou Gonçalves. “A alta no diesel impacta no custo do frete. Os combustíveis ficando mais caros acabam influenciando o preço do frete”, acrescentou.

Os alimentos estão entre os produtos que tiveram aumento de preços sob impacto indireto da guerra, via esse encarecimento do frete, embora também tenha havido pressão de menor oferta em alguns itens, disse Gonçalves.

Os preços dos alimentos para consumo em casa subiram 1,64% em abril, quinto mês de aumentos consecutivos. Houve altas na cenoura (26,63%), leite longa vida (13,66%), cebola (11,76%), tomate (6,13%) e carnes (1,59%).

Por outro lado, “a expectativa de boa safra traz uma pressão para queda de preços”, observa Fernando Gonçalves. (Estadão Conteúdo)