Banco Central reduz juros básicos para 14,5% ao ano
Decisão foi tomada por unanimidade, apesar de riscos com a guerra
Apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio, o Banco Central (BC) cortou ontem (29) os juros pela segunda vez seguida. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro.
De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião passada, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, prejudicou a tendência de queda, que poderia ter sido maior.
O BC argumentou em comunicado que precisará incorporar novas informações para definir os passos futuros da política monetária.
“O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, informou no comunicado.
Com a redução da Selic para 14,50%, o Brasil continua com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, 9,33%, segundo o ranking MoneYou/Lev Intelligence. O País está atrás apenas da Rússia, com 9,67%. O México aparece em terceiro lugar, com 5,09%, seguido pela África do Sul (4,62%) e Indonésia (3,31%).
O BC calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil — que não estimula, nem deprime a economia — é de 5,0%.
Estados Unidos
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve inalteradas ontem suas taxas de juros, naquela que provavelmente foi a última reunião de política monetária presidida por Jerome Powell.
A reunião do Comitê de Política Monetária do Fed (FOMC) levou em conta as perturbações na economia provocadas pela guerra no Oriente Médio. “A inflação continua elevada, em parte pelo recente aumento dos preços mundiais da energia”, afirmou o Fed, que manteve as taxas em um intervalo entre 3,50% e 3,75%.
Com o aumento dos custos de energia e os transtornos nas cadeias de abastecimento provocadas pela guerra, os analistas estão atentos se a inflação poderia levar os responsáveis pela política monetária a considerar a necessidade de um aumento dos juros. (Da Redação, com informações da Agência Brasil, Estadão Conteúdo e AFP)