Força-tarefa dos combustíveis chega a SP, e ANP autua Vibra, Ipiranga e Nexta

Na quinta-feira, 19, distribuidoras foram alvo de ações de fiscalização no Estado, no âmbito da ofensiva coordenada para apurar possíveis elevações injustificadas de preços.

Por Da Redação com Estadão Conteúdo

Tecnologia impede alterações na quantidade de combustível fornecida: consumidor recebe exatamente o que está pagando

Depois de colocar o mercado de combustíveis de sobreaviso, como forma de monitorar mais intensamente a movimentação do diesel e da gasolina no País, a força-tarefa de fiscalização do governo federal para o setor de combustíveis anunciou que chegou a São Paulo, maior mercado do setor. Na quinta-feira, 19, distribuidoras foram alvo de ações de fiscalização no Estado, no âmbito da ofensiva coordenada para apurar possíveis elevações injustificadas de preços. 

Durante a fiscalização, Vibra, Ipiranga e Nexta Distribuidora foram autuadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). 

A Senacon estipulou o prazo de 48 horas para que as distribuidoras Vibra, Ipiranga e Raízen apresentem esclarecimentos sobre seus custos e eventuais aumentos sem justa causa. 

"A inclusão de São Paulo reforça o caráter nacional da iniciativa, que une Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon/MJSP), Secretaria Nacional de Segurança Pública, ANP e Polícia Federal. A ampliação das ações fortalece o monitoramento sobre possíveis práticas abusivas em uma das regiões mais estratégicas para a formação de preços", informou a ANP. 

No Distrito Federal, onde a fiscalização teve início no dia anterior, também houve avanço. Em ações conduzidas pela ANP, três distribuidoras foram autuadas por indícios de abusividade de preços: Nexta, Ciapetro e TDC Distribuidora de Combustíveis S/A. Na quinta-feira, Raízen, Ipiranga e Masut já haviam sido autuadas pela agência no DF. 

Outro lado

 Sobre a operação, a Vibra informou que colaborou e seguirá à disposição da Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacom) para prestar todos os esclarecimentos. Segundo a companhia, nas últimas semanas o setor tem enfrentado um cenário desafiador, com restrições de oferta e ajustes nas condições de fornecimento, o que impacta a dinâmica do mercado. 

A Ipiranga reforçou que os preços no setor são influenciados por múltiplos fatores, incluindo diferentes formas de suprimento de combustível - como aquisições via importação e operações específicas de mercado -, além de custos logísticos e condições regionais, em um ambiente de livre concorrência. 

A companhia entende que a autuação da ANP se baseou em somente uma parcela destes impactos, no caso o preço Petrobras, sem considerar os componentes de preços como os valores de importação, elevados em meio à instabilidade política global. 

A Raízen não quis comentar o assunto. 

As ações do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, que une Procons municipais e estaduais e a Senacon, alcançaram 145 postos e 17 distribuidoras, em 12 unidades da federação e 63 municípios desde a segunda-feira, 16. Desde o início da guerra no Oriente Médio, as ações já alcançaram 16 Estados e 146 municípios. 

Do dia 9 de março até quinta-feira, foram fiscalizados 1.196 postos, 52 distribuidoras e uma refinaria em todo o País. 

As ações seguem em andamento e, caso sejam identificadas práticas abusivas, as empresas poderão ser responsabilizadas nos termos da legislação, com a aplicação das sanções cabíveis.