Exploração de urânio avança e Angra 3 segue parada

Por Cruzeiro do Sul

Segundo especialistas, o urânio voltou a ser um mineral cobiçado globalmente; fábrica em Rezende (RJ), onde são produzidas pastilhas do material, usadas pelas usinas nucleares de Angra

 

A decisão sobre a retomada da construção de Angra 3, obra parada há 11 anos, caminha lentamente, mas o plano de ampliar a extração de urânio para produção de combustível nuclear avança a passos largos no País. Após abrir o setor para a iniciativa privada em 2022, a mineração de urânio tem sido defendida pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que vê potencial, inclusive, de exportação.

Nas próximas semanas o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a ENBPar e a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) concluirão a contratação de consultores que auxiliarão o banco na estruturação de parcerias em mineração de urânio em até cinco regiões do País, focadas em ampliar a capacidade produtiva, segundo apurou o Estadão/Broadcast.

O objetivo é garantir a autossuficiência no suprimento de urânio para as usinas nucleares nacionais e viabilizar a exportação de eventual excedente, informou o banco. As atividades estão previstas para áreas na Bahia, Goiás, Paraíba, Paraná e Tocantins.

O Brasil figura entre os seis países com maior reserva de urânio no mundo, embora menos de um terço do território tenha sido prospectado. A ideia é atrair a iniciativa privada, a exemplo do único projeto em andamento, no Ceará, fruto de uma parceria da INB com a Galvani Fertilizantes para impulsionar o conhecimento das reservas e a produção do mineral. O objetivo da parceria é explorar o urânio e o fosfato, encontrados de forma associada na jazida de Itataia, localizada no município de Santa Quitéria.

Quando entrar em operação, Santa Quitéria vai produzir 1.050.000 toneladas de fertilizantes fosfatados, volume capaz de atender 25% da demanda nacional do insumo nas regiões Norte e Nordeste.

Atualmente, apenas a mina de urânio em Caetité, Bahia, administrada pela INB, está em funcionamento no País. O urânio brasileiro, porém, precisa ser enviado ao exterior para ser transformado em gás, processo ainda inexistente no Brasil. Segundo especialistas do setor, o urânio voltou a ser um mineral cobiçado globalmente no contexto da transição energética, e seu preço subiu para mais de US$ 85 a tonelada em janeiro deste ano, alta de quase 30% sobre o mesmo mês de 2025 e o dobro do valor registrado há cinco anos. (Da Redação, com informações do Estadão Conteúdo)