Copom deve manter taxa Selic em 15%
Mercado ficará atento às projeções de inflação
A comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) estará sob a lupa do mercado financeiro nesta e na próxima semana. Analistas buscam nas reuniões realizadas ontem (27) e na de hoje (28) as mudanças que abram as portas para o início de um ciclo de cortes já no encontro seguinte, em março.
Às vésperas da decisão — com manutenção da taxa de juros em 15% ao ano —, prevalece a avaliação de que uma sinalização explícita da autoridade monetária sobre seus próximos passos é pouco provável. Assim, os detalhes da comunicação ganham ainda mais importância. O mercado ficará atento, por exemplo, à análise do cenário econômico, às projeções de inflação e a possíveis modificações no trecho referente à decisão de política monetária.
“A probabilidade de um direcionamento muito claro no sentido de queda dos juros é bastante reduzida. Acho que ele irá descartar pontos que mantiveram o comunicado hawkish (postura voltada à alta dos juros) até agora, mas não trará sinalizações dovish (voltada à queda dos juros), no sentido de um apontamento claro sobre os passos futuros”, avalia a economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta.
Segundo ela, a opção por um discurso neutro nesse aspecto deve permitir que o comitê acompanhe por um pouco mais de tempo o processo de maturação de dados e eventos macroeconômicos, como a evolução do cenário de inflação, do mercado de trabalho e dos impactos da reforma do Imposto de Renda (IR).
Argenta projeta o início do ciclo de cortes da Selic em março. Na comunicação de janeiro, diz, terá atenção especial às avaliações do comitê quanto ao mercado de trabalho e ao ritmo de serviços. Ela espera também ajustes no parágrafo sobre a prescrição de política monetária, com a subtração do trecho que diz que o colegiado não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado. “A retirada desse termo seria uma sinalização de um aumento da probabilidade de queda, de que o Banco Central está considerando esse movimento para a reunião subsequente”, afirma.
O início do ciclo de cortes da Selic em março se tornou a aposta quase unânime do mercado financeiro, indica levantamento do Projeções Broadcast publicado em 22 de janeiro. Segundo a pesquisa, esse é o cenário de 34 de 37 casas consultadas.
O cenário já foi mais dividido. Na reta final de 2025, um número maior de instituições via a possibilidade de redução já nesta reunião de janeiro. Entre elas, estava o Banco Inter, que revisou recentemente a projeção de início dos cortes para março. A economista-chefe Rafaela Vitória explica que o tom conservador adotado pelo colegiado na comunicação da reunião de dezembro e os dados macroeconômicos mais recentes justificaram postergar a estimativa. (Estadão Conteúdo)