Setores produtivos criticam Selic mantida em 15%
A manutenção da taxa de juros Selic em 15% ao ano “sufoca a economia e isola o Brasil no contexto internacional dos juros reais”, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, a continuidade da política monetária excessivamente contracionista é prejudicial ao País. Na quarta-feira (5), o Banco Central manteve a taxa de juros no mesmo patamar.
“A Selic tem freado a economia muito além do necessário, uma vez que a inflação está em clara trajetória de queda. A taxa de juros atual traz custos desnecessários, ameaçando o mercado de trabalho e, por consequência, o bem-estar da população”, criticou Alban.
O setor da construção também demonstrou preocupação. Em comunicado, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Renato Correia, afirmou que uma Selic elevada por longo período encarece o crédito imobiliário e inibe novos projetos.
“A construção é um dos setores mais sensíveis ao custo do crédito e à confiança do consumidor. Uma Selic de 15% torna muitos empreendimentos inviáveis”, avaliou. Em outubro, a Cbic reduziu a projeção de crescimento do setor em 2025 de 2,3% para 1,3%, citando os impactos do ciclo prolongado de juros altos.
Os juros altos também atraíram críticas do setor de supermercados. Segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas), o Brasil está na contramão do restante do planeta, que reduz juros. (Estadão Conteúdo e Agência Brasil)