PIB perde fôlego e cresce 0,4% no segundo trimestre

Impacto dos juros altos impediu melhor resultado da atividade econômica

Por Cruzeiro do Sul

Setor industrial teve alta de 0,5% em relação ao 1º trimestre

Após uma forte alta de 1,3% no primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro desacelerou para 0,4% no segundo trimestre de 2025, em relação ao primeiro, impactado principalmente pela elevação da taxa Selic.
Os números foram divulgados ontem (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que também revisou o dado do primeiro trimestre, de 1,4% para 1,3%.

Entre abril e junho deste ano, houve alta de 0,6% nos serviços e de 0,5% na indústria, em relação aos três primeiros meses do ano, compensando a variação negativa de 0,1% na agropecuária. Já o consumo das famílias subiu 0,5%, enquanto o consumo do governo recuou 0,6%, e os investimentos caíram 2,2%.

As exportações de bens e serviços tiveram alta de 0,7%, enquanto as importações caíram 2,9%. Esses números ainda não incorporam os efeitos do tarifaço anunciado por Donald Trump, que devem ter impacto sobre os números do terceiro trimestre, já que foram anunciados em julho, com início em agosto.

Para a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, o crescimento no segundo trimestre foi sustentado pelos serviços, uma atividade menos impactada pela alta dos juros, e também pelo consumo das famílias, como reflexo do mercado de trabalho e dos programas de transferência de renda.

“O que puxou esse crescimento do PIB foram os serviços, principalmente, atividades econômicas não tão influenciadas pela política monetária restritiva, e, pelo lado da demanda, o consumo das famílias, pela continuação dos programas de transferência das famílias e também pelo dinamismo do mercado de trabalho, com a continuação do crescimento do total dos salários recebidos pelas famílias”, afirmou.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2024, o crescimento foi de 2,2%. No semestre e no acumulado dos quatro trimestres terminados no segundo trimestre de 2025, o PIB teve alta de 2,5% e 3,2%, respectivamente.

Em postagem em uma rede social, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, comemorou o resultado. Em relação ao trimestre anterior, foi a 16ª alta consecutiva desse indicador. “O PIB do Brasil cresceu de novo. Subiu 0,4% em relação ao 1º trimestre deste ano e 2,2% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado”, disse Simone Tebet.

João Soares, sócio-fundador da Rio Negro Investimentos, diz que o resultado veio um pouco acima do esperado pelo mercado, sustentado por setores de serviços financeiros e seguros, que tiveram crescimento forte, de 2,1% em relação ao primeiro trimestre.

O Bradesco previa alta de 0,3% no trimestre, com crescimento mais fraco do consumo das famílias e retração dos investimentos. Já o Itaú Unibanco estimava 0,2% de alta, enquanto o Santander apostava em 0,1% de crescimento. Silvia Matos, do Ibre/FGV, apostava em alta de 0,2%.

Sérgio Vale, da MB Associados, diz que o PIB mais fraco reflete o impacto das taxas de juros, e uma desaceleração da agropecuária, após a forte expansão do setor no primeiro trimestre. Além disso, o impulso fiscal dado pelo governo federal também começou a perder efeito. (Estadão Conteúdo)