Canadá e China retaliam tarifas impostas pelos EUA

México também deverá anunciar medida semelhante nos próximos dias

Por Cruzeiro do Sul

Governo chinês alega descumprimento de regras pelos EUA

Após as tarifas de 25% sobre as importações do Canadá e México e uma adicional de 10% contra a China entrarem em vigor — impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — os chineses e canadenses anunciaram medidas retaliatórias e é esperado que os mexicanos tomem medidas semelhantes.

Ontem (4), o governo chinês retaliou os EUA com um aumento de 15% na tarifa sobre alimentos e outros produtos agrícolas, além de aumentar as restrições de exportação para empresas americanas. A potência asiática também entrou com uma ação na Organização Mundial do Comércio, alegando descumprimento das regras do cartel pelos americanos.

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, aumentou as tarifas sobre quase US$ 100 bilhões em importações dos Estados Unidos por 21 dias.

O Canadá, o México e a China respondem por mais de 40% das importações dos EUA. As tarifas ameaçadas por Trump superariam todas as medidas comerciais adotadas anteriormente, elevando a média das taxas tarifárias dos EUA “a níveis não vistos desde a década de 1940”, disse Chad Bown, membro sênior do Peterson Institute for International Economics, ao The New York Times.

Trump assinou na segunda-feira (3) uma ordem executiva que aumenta de 10% para 20% as tarifas sobre os produtos chineses que entram nos Estados Unidos. Ele afirma que Pequim não está fazendo o suficiente contra o tráfico de fentanil.

Essas tarifas, anunciadas em 1º de fevereiro como parte da luta contra a crise dos opioides, entram em vigor devido à “incapacidade” da China de “combater a inundação de fentanil” que entra nos Estados Unidos, de acordo com uma mensagem publicada na rede social X pela Casa Branca. Ainda na segunda-feira, um porta-voz do Ministério do Comércio chinês disse que o país tomaria medidas de represália.

De todos os setores que dependem do comércio americano, a fabricação de automóveis pode sofrer o maior impacto. O Canadá e o México respondem por quase metade das importações e exportações de automóveis dos EUA, e por uma parcela ainda maior do comércio de carrocerias e peças de veículos automotores.

As montadoras argumentaram que as peças e os veículos isentos de acordo com o atual tratado de livre comércio devem continuar a cruzar as fronteiras sem impostos. (Estadão Conteúdo)