Banco Mundial mantém previsão de que PIB do Brasil crescerá 0,8%

As taxas de juros elevadas restringem os investimentos e o Brasil também enfrenta "desaceleração do crescimento das exportações"

Por Cruzeiro do Sul

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O Banco Mundial confirmou ontem (10) sua projeção de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve avançar 0,8% neste ano e 2,0% em 2024. Os números estão no relatório Perspectivas Econômicas Globais e repetem o estimado seis meses atrás. Para o ano de 2022, a instituição acredita que a economia brasileira tenha crescido 3,0%, quando anteriormente havia projetado alta de 1,5% neste caso.

As taxas de juros elevadas restringem os investimentos e o Brasil também enfrenta “desaceleração do crescimento das exportações”, informou o Banco Mundial.

Em outro trecho do relatório, ele comenta que as condições climáticas “têm sido favoráveis” para a safra de soja no País, enquanto na Argentina uma seca prolongada prejudica a produção de trigo.

O Banco Mundial qualifica a desaceleração em andamento no Brasil como “acentuada”, com forte contração do investimento em 2023, em quadro de alta nos juros pelo Banco Central para conter a inflação. A instituição ainda afirma que a incerteza sobre a perspectiva da política fiscal é “mais um vento contrário” para a confiança dos negócios e os investimentos.

“As exportações do Brasil devem crescer mais lentamente que nos últimos anos por causa da desaceleração no crescimento da demanda por commodities não energéticas”, diz o relatório.

Já o gasto do consumidor deve ser “um pouco apoiado” em 2023 por transferências fiscais e cortes tributários adotados no ano passado, a fim de compensar “os preços de alimentos e combustíveis em disparada”.

O Banco Mundial diz ainda que o crescimento no investimento deve ter “alguma aceleração”, e que a melhora na demanda global apoia o crescimento das exportações.

Economia global

No mesmo relatório, o Banco Mundial revisou para baixo sua projeção para o PIB da economia global neste ano, para 1,7% -- contra alta de 3% prevista seis meses antes. A instituição agora alerta para o fato de que há desaceleração “de forma acentuada”, pela inflação alta, pelas taxas de juros mais elevadas, redução dos investimentos e repercussões da invasão da Rússia na Ucrânia.

No documento, o Banco Mundial adverte para a “fragilidade” das condições econômicas internacionais e projeta também que o crescimento global em 2024 será de 2,7%. (Estadão Conteúdo e AFP)