Bolsonaro: Petrobras ‘pode quebrar o Brasil’
O presidente Jair Bolsonaro tornou a criticar a Petrobras ontem. De acordo com ele, a empresa “pode quebrar o Brasil” se reajustar o preço dos combustíveis. Ele também atacou governadores e pediu que seja acatada a redução no ICMS, já aprovada na Câmara Federal.
“É um crime se cobrar um real de ICMS por litro de óleo diesel”, disse Bolsonaro em entrevista coletiva marcada para esclarecer as medidas para combater a tragédia que deixou mais de 90 de mortos em Pernambuco. “Como alertei no mês passado, a Petrobras pode quebrar o Brasil com isso”, afirmou.
O presidente assumiu que há risco de desabastecimento de diesel, o que pode obrigar o racionamento do combustível no País. A Petrobras enviou ofício ao Ministério de Minas e Energia (MME) no início da semana passada com alerta sobre a possibilidade de faltar diesel no Brasil.
“Não (temos risco de desabastecimento) ainda. Nós precisamos de refino. Se o mundo subir muito o preço dos combustíveis, não destilar lá fora, não refinar, pode faltar, não só para nós, para o mundo todo. Temos que importar gasolina e diesel porque não temos capacidade de refino”, afirmou o presidente durante entrevista ao programa Alerta Nacional, da RedeTV!, gravada no último sábado, dia 28, em Manaus, e exibida ontem.
Ele ainda falou na necessidade de uma campanha para economizar diesel, caso a situação do abastecimento se agrave. Bolsonaro afirmou que o País tem estoque suficiente para garantir 40 dias do combustível, sem importação.
Bolsonaro disse que o governo tenta achar meios legais de reduzir o preço dos combustíveis e repetiu que não vai interferir na política da empresa. Ele defendeu a privatização da Petrobras e criticou o que chamou de monopólio da estatal no Brasil.
“Quanto mais caro está o combustível, mais eles ganham, mais eles pagam para os acionistas, mais mandam para fora do Brasil. Parece que é coisa orquestrada. A Petrobras não precisa desse lucro excessivo”, também criticou o presidente, ao voltar a falar em preços abusivos fixados pela estatal. Bolsonaro ainda admitiu que a privatização será um “negócio complicado” e previu que o processo de venda da petroleira vai durar quatro anos. (Estadão Conteúdo e Redação)