Governo estuda reajuste de 5% a todos servidores federais
Aumento seria dado a partir de julho e custaria cerca de R$ 5 bilhões para os cofres públicos em 2022
Diante da mobilização crescente no funcionalismo público, setores do governo agora estudam a concessão de um reajuste de 5% para todos os servidores do Executivo federal em ano eleitoral. O aumento seria dado a partir de julho e custaria cerca de R$ 5 bilhões para os cofres públicos em 2022.
Seria uma “alternativa” para tentar distribuir de forma mais equânime o aumento de salário reivindicado por servidores de diversos órgãos públicos, como Receita Federal, Banco Central e Tesouro Nacional, que fizeram paralisações e intensificaram o movimento nas últimas semanas depois de o presidente Jair Bolsonaro prometer no ano passado aumentar os vencimentos apenas de policiais federais.
O reajuste geral esbarra, no entanto, no teto de gastos (regra que atrela o crescimento das despesas à inflação), que hoje não tem espaço para novas despesas. Na semana passada, a equipe econômica bloqueou R$ 1,7 bilhão em gastos de 2022 para não romper o limite fiscal. Ou seja, para dar aumento de pessoal, R$ 5 bilhões de despesas teriam de ser cortadas para não ultrapassar o teto.
Para o presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), Rudinei Marques, o reajuste de 5% seria insuficiente para repor as perdas dos últimos anos e “uma verdadeira afronta” aos servidores.
O Sindicato Nacional de Funcionários do Banco Central (Sinal) reforçou ontem o início da greve da categoria para amanhã, dia 1º, e disse que o movimento pode ser mais severo, caso o governo publique uma medida provisória com o reajuste dos policiais federais e deixe de fora os servidores do BC.
Pagamentos
Segundo o sindicato, uma greve mais forte poderia interromper, total ou parcialmente, o sistema Pix, a distribuição de cédulas e moedas, as operações de mercado aberto, a divulgação do Boletim Focus (com projeções de economistas) e de “diversas taxas” e o funcionamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mudou de posição e passou a defender a reestruturação das carreiras da autoridade monetária dentro do governo. Na terça, em conversa com os sindicatos que representam os servidores do BC, Campos Neto afirmou que participou de reuniões no Palácio do Planalto a respeito da reestruturação das carreiras do BC, incluindo o reajuste salarial.
Peritos médicos do INSS iniciaram ontem uma greve por tempo indeterminado. Eles reivindicam reajuste salarial de quase 20% para repor a inflação de três anos, melhoria no plano de carreira e realização de concurso para contratar novos profissionais. Os peritos médicos também querem o fim da teleperícia (perícia médica com uso de telemedicina), que foi adotada durante a pandemia. (Estadão Conteúdo e Redação)