CVM abre processo após demissão do presidente da Petrobras
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu um processo administrativo na segunda-feira, após o vazamento de informações sobre a demissão do general Joaquim Silva e Luna do comando da Petrobras. A informação da demissão circulou com o mercado de ações aberto, sem que a companhia tivesse se manifestado publicamente sobre o assunto.
O processo trata da supervisão de notícias, fatos relevantes e comunicados e foi iniciado pela Superintendência de Relações com Empresas (SEP), que deve analisar os fatos recentes. Como a Petrobras é listada em bolsa, seus movimentos precisam ser comunicados simultaneamente a todo o mercado, para não configurar vazamento de informação.
Há cerca de um ano, a CVM abriu processo semelhante um dia após o presidente Jair Bolsonaro anunciar, pelo Facebook, a indicação do general Silva e Luna para assumir os cargos de conselheiro de administração e de presidente da estatal para o lugar do então comandante da estatal, o economista Roberto Castello Branco, hoje conselheiro de empresas.
Procurada para comentar a abertura de processo, a CVM informou que não comenta casos específicos. A autarquia pode abrir processo quando entende que precisa acompanhar os desdobramentos de algum assunto ou quando emite ofícios solicitando esclarecimentos.
Desde o ano passado a CVM abriu dez processos envolvendo notícias da estatal. Parte desses processos está relacionada a declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a política de preços da estatal e outros temas.
Ações
O mercado financeiro reagiu com tranquilidade às mudanças no comando da Petrobras, com a troca de Silva e Luna pelo economista Adriano Pires, indicado pelo governo para assumir a estatal. As ações preferenciais, sem direito a voto, da estatal subiram 2,22% ontem e fecharam em R$ 32,31 cada; já as ações ordinárias, com direito a voto, subiram 1,23%, e encerraram o dia em R$ 34,53. (Estadão Conteúdo)