Guerra piora perspectiva de países mais pobres

Na zona do euro, preocupação é com impactos nas importações de gás natural e petróleo

Por Cruzeiro do Sul

Nações Unidas alertam para preços de alimentos e combustíveis.

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês) afirmou, em relatório publicado na quarta-feira, dia 16, que uma avaliação sobre o impacto da guerra na Ucrânia, para além da crise humanitária local, mostra “uma rápida piora na perspectiva para a economia global, com situação especialmente alarmante para os países menos desenvolvidos”. A entidade destaca o aumento nos preços de alimentos, combustíveis e fertilizantes.

O relatório destaca a maior volatilidade financeira, a retirada de investimentos em desenvolvimento sustentável, “complexas reconfigurações nas cadeias de suprimento global” e o aumento nos custos com comércio. “A guerra na Ucrânia tem um custo elevado em sofrimento humano e produz choques pela economia global”, alerta em um comunicado a secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Rebeca Grynspan. Segundo ela, esses choques ameaçam os ganhos na recuperação da pandemia da Covid-19 e ameaçam atravancar o caminho para o desenvolvimento sustentável. Rebeca destaca preocupações com alimentos e combustíveis. Ela lembra que Rússia e Ucrânia são atores importantes nos mercados de agricultura e alimentos, representando por exemplo 53% do comércio global de óleo e sementes de girassol e 27% do comércio mundial de trigo.

O quadro é “especialmente alarmante para as nações em desenvolvimento”, aponta Rebeca. Há 26 países da África que importam mais de um terço de seu trigo dos dois países em guerra, sendo que em 17 deles a parcela é superior a 50%. Esse quadro eleva o risco de distúrbios civis nos países mais pobres, pela falta de alimentos e a inflação.

Zona do euro

A invasão da Ucrânia pela Rússia e as consequentes sanções levarão desafios fiscais para os países da zona do euro, avalia a Fitch. Em relatório, a agência aponta que, assim como a pandemia, a guerra é um choque externo que será sentido em todo o bloco e seu impacto variará, por exemplo, com a dependência do gás russo ou as relações comerciais de cada estado membro.

O impacto fiscal refletirá as respostas políticas e até que ponto seus custos podem ser divididos em nível europeu, afirma a Fitch.

O mercado de energia é o principal canal de transmissão macroeconômico por meio de preços mais elevados na região, e a Rússia foi responsável por 38% das importações de gás natural da União Europeia e 23% das importações de petróleo em 2020, aponta.

O problema seria significativamente maior se a energia fosse racionada, enquanto a invasão poderia prolongar as interrupções na cadeia de suprimentos, projeta. A Fitch atualizará suas previsões do PIB da zona do euro para 2022 no Global Economic Outlook esta semana, com revisões para baixo prováveis. (Estadão Conteúdo)