Desemprego cai para 11,2%, mas ainda chega a 12 milhões

Renda média de quem conseguiu uma vaga está 9,7% menor do que há um ano

Por Cruzeiro do Sul

Desemprego ficou em 7,8% em 2023, o menor patamar desde 2014, quando o indicador marcou 7%

O mercado de trabalho manteve no trimestre encerrado em janeiro a trajetória de melhora, com sinais positivos, embora ainda não em magnitude suficiente que permita uma reação do rendimento médio recebido pelos ocupados. A taxa de desemprego caiu de 12,1% no trimestre encerrado em outubro de 2021 para 11,2% no trimestre terminado em janeiro de 2022, a mais baixa para este período do ano desde 2016.

Os dados, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), foram divulgados ontem pelo IBGE. O País ainda tem 12 milhões de desempregados.

“Estamos melhorando, mas ainda é uma condição bastante ruim. São 12 milhões de desempregados, 28 milhões de subutilizados, fora a população sem carteira assinada”, diz o economista-chefe do Banco MUFG Brasil, Carlos Pedroso.

A população ocupada totalizava 95,428 milhões de pessoas no trimestre até janeiro de 2022. Em um ano, mais 8,214 milhões de pessoas encontraram uma ocupação. Em um trimestre, foi aberto 1,470 milhão de vagas, sendo apenas 313 mil delas na informalidade. Apesar da influência sazonal de dispensa de temporários, foram abertas 681 mil vagas com carteira assinada no setor privado no trimestre.

Apesar da influência sazonal de dispensa de trabalhadores temporários, houve geração de vagas puxadas pela formalidade, diz Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE.

“A flexibilização do funcionamento das atividades econômicas e o avanço da vacinação estão permitindo que o funcionamento das atividades seja mais efetivo. Toda a composição desses efeitos contribuiu para que, ao longo de 2021, a taxa de desocupação tivesse essa redução bastante significativa”, disse Adriana. “A população ocupada atual é maior do que a observada no pré-pandemia”, lembrou.

Renda

A leve melhora registrada pelo IBGE na taxa de desemprego não chegou a influenciar a renda dos trabalhadores. A renda média de quem conseguiu uma vaga está 9,7% menor do que há um ano.

“O ponto mais negativo é a renda, claramente afetada pela inflação elevada dos últimos meses. Devemos observar esse padrão nas próximas leituras, pois esperamos que a inflação só comece a ceder no segundo trimestre”, disse Carlos Pedroso.

A renda média nominal, ou seja, sem descontar a inflação do período, cresceu 1,7% no trimestre até janeiro ante o trimestre até outubro de 2021, a primeira alta desde o trimestre terminado em maio de 2021. Ao mesmo tempo, a renda real, que é ajustada subtraindo a inflação acumulada, caiu 1,1% no período. Essa diferença se dá justamente pelos aumentos nos preços da economia, que corroeram o poder de compra dos salários dos trabalhadores. (Estadão Conteúdo)