Valdemar: ninguém aprovou a carta de Flávio
Presidente do PL visitou Jair Bolsonaro e disse que agora "é tocar o País para a frente"
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reprovou ontem (29) a carta com teor golpista publicada pelo candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL). O dirigente disse que "ninguém aprovou" o documento e que a intenção agora é "tocar o País para a frente".
"Ninguém quer ter problema, ninguém aprova essa situação que aconteceu com o Flávio. O Flávio passou por uma situação difícil, compreendemos, mas não aprovamos (a carta), queremos tocar o País para frente", declarou a jornalistas em Brasília, após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A declaração mostra que a cúpula do PL, assim como outras legendas, reprovou o conteúdo do documento, no qual Flávio não reconhece o resultado das urnas e se autodeclara "o verdadeiro presidente eleito do Brasil".
Valdemar disse não ter tratado sobre o assunto com Bolsonaro, mas afirmou que o ex-presidente não sabia que Flávio deixaria o Brasil. "Não falou para o pai. Nem o Bolsonaro sabia que ele ia, ninguém sabia. Eu também não sabia", falou.
Segundo ele, a conversa girou em torno das eleições para o Congresso e não teria abordado uma suposta articulação entre os partidos para um indulto ou uma anistia a Bolsonaro. "Eu estava há quase um ano sem ver Bolsonaro, tinha tanto assunto para falar para ele. Conversei sobre eleição, falei com os candidatos em todos os Estados, os deputados estaduais, federais, os candidatos nossos ao governo do Estado, que fizemos o maior número de governadores", disse.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou que Valdemar visitasse Bolsonaro. O pedido foi feito pelo ex-presidente, alegando "necessidade de diálogo direto" após o filho Flávio deixar o País.
Versões
A carta, divulgada por apoiadores e pelo próprio senador na quarta-feira, teve três versões. A primeira tinha um brasão escrito "Estados Unidos do Brazil", com o nome do País escrito em inglês e a data de 15 de novembro de 1889. O emblema remonta à Proclamação da República e vigorou até 1968.
O manifesto foi enviado pelo comunicador Paulo Figueiredo. Quinze minutos após distribuir o texto, ele divulgou uma nova versão, atualizando o brasão com o nome correto do País. Flávio abrandou o tom em uma terceira versão, publicada no X às 17h51, autointitulando-se "o líder do Brasil".
Trump
O presidente americano Donald Trump considerou ontem as eleições presidenciais no Brasil uma "vergonha". "Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha", declarou a jornalistas antes de partir para um comício eleitoral.
Questionado sobre quem era o vencedor legítimo das eleições, Trump respondeu: "Não quero comentar isso neste momento".
O chefe de gabinete da Argentina, Diego Santilli, afirmou que a partida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos a partir do território argentino foi possível porque ele estava com a documentação regular e não havia "impedimento da Interpol".
"Ele entrou com a documentação correspondente em ordem e acabou saindo de avião, também nas mesmas condições", disse Santilli à imprensa durante um evento oficial em Rosário, ao norte de Buenos Aires.
Segundo jornais argentinos, Flávio teria entrado na Argentina com um passaporte italiano. Parlamentares da oposição apresentaram um pedido de convocação de Santilli para exigir explicações sobre o papel da Argentina na viagem de Flávio. (Estadão Conteúdo e AFP)