Flávio diz que vai pedir cassação de chapa do PT
Senador disse que foi intimado pela PF a entregar passaportes e Donald Trump fala em "fraudes"
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República derrotado no domingo (25), afirmou ontem (26) à tarde que vai pedir a cassação da chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que a Polícia Federal (PF) o intimou a entregar os passaportes.
Flávio publicou um vídeo nas redes sociais em que agradece aos quase 60 milhões de votos e repetiu que a eleição ocorrida no domingo "não foi normal", colocando suspeição sem fundamento sobre o processo eleitoral. Ele reclamou da prorrogação feita pelo Supremo Tribunal Federal (STF), medida que sua própria campanha havia pedido à Justiça Eleitoral.
"Eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu. Não fui eu que perdi, foi sistema que ganhou", declarou o senador.
Com isso, o senador faz uma mudança no discurso. No pronunciamento à imprensa na noite de domingo, após o resultado das urnas, ele havia dito que pediria a "anulação" da eleição, sem reconhecer a derrota. Agora, pede a cassação da chapa.
Em seguida, Flávio afirmou ter sido abordado ontem de manhã pela Polícia Federal, após ele fazer uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar num condomínio no Lago Sul, em Brasília.
"Quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele (Bolsonaro) e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o País. A decisão, do Alexandre de Moraes, se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro, que eu deveria deixar o País se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?", afirmou.
O senador disse que a decisão de Moraes foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio do resultado da eleição, e questionou se isso teria acontecido caso ele tivesse sido eleito presidente. Declarou que a "democracia faliu" no Brasil, que vai entregar o passaporte à PF e que vai se defender "dessa aberração".
Apesar de não ter reconhecido expressamente a derrota, Flávio se colocou como um líder da oposição ao próximo mandato de Lula.
A partir do ano que vem, o senador não terá mais mandato nem foro privilegiado. Seu irmão, Carlos Bolsonaro, e sua madrasta, Michelle Bolsonaro, foram eleitos ao Senado. O pai está inelegível até 2030, e o irmão Eduardo Bolsonaro autoexilado nos Estados Unidos após ter o mandato cassado na Câmara dos Deputados.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que as eleições no Brasil foram "fraudadas" e "muito corruptas".
"Na minha opinião, foi terrível", disse Trump a jornalistas ao deixar Washington com destino a um comício de campanha para as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.
Líderes mundiais
A China parabenizou Lula pela reeleição e afirmou respeitar a "escolha do povo brasileiro". Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez celebrou a vitória.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também parabenizaram Lula. (Estadão Conteúdo e AFP)