Defesa pede revogação da prisão de Vorcaro

Advogados argumentam que há indefinição no STF com pedido de vista apresentado por Flávio Dino

Por Estadão Conteúdo

Banqueiro que era dono do Master está preso desde março

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) ontem (18) a revogação ou a substituição por medidas cautelares da prisão preventiva dele, decretada na Operação Compliance Zero, que apura crimes financeiros envolvendo o Banco Master. Preso desde 4 de março, Vorcaro está no 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

Os advogados mencionam a crise no STF e alegam que o pedido de vista de Flávio Dino em um dos desdobramentos do caso — a possível investigação de Alexandre de Moraes por conversas com Vorcaro - podem manter a situação do dono do Master indefinida.

"O peticionário (Daniel Vorcaro) não pode permanecer preso indefinidamente, à espera de definições que não dependem dele", escreveu a defesa.

No documento, os advogados destacam que a revisão da medida, prevista para cada 90 dias, não ocorreu e citam precedente anterior da Corte, que estabelece ao juízo o dever de reanalisar a prisão ao ser provocado pela defesa.

A petição foi encaminhada ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, ação justificada pela definição do último dia 12 para que os documentos do caso Master sejam encaminhados à presidência da Corte, e não ao ministro André Mendonça, relator.

Sessão

A defesa cita que o pedido de vista na sessão de terça-feira (15), do STF, estende uma indefinição sobre o caso, já que a devolução tem o prazo para ocorrer em até 90 dias e a previsão é que os procedimentos não tenham avanço antes de 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições.

"Se a própria Corte ainda delibera sobre relatoria, competência e validade de atos da investigação, e se, repete-se, apenas a devolução da vista pode consumir até 90 (noventa) dias, não se mostra legítimo que o único dado estável do processo seja o cárcere do investigado", escreveram os advogados.

Este é o segundo período de prisão de Vorcaro, que foi detido pela primeira vez em 18 de novembro de 2025. Em 4 de março de 2026, por ordem de Mendonça, o banqueiro voltou a ser preso, depois que a Polícia Federal entregou provas ao STF de que Vorcaro mantinha um braço armado, usado para ameaçar adversários e também para invadir sistemas de informática dos órgãos de investigação. (Estadão Conteúdo)