PF apura suposto desvio de emendas para filme
Investigação indica que ao menos R$ 750 mil em recursos públicos abasteceram produtora
A Polícia Federal suspeita que pelo menos R$ 750 mil provenientes de recursos públicos foram desviados para abastecer a produtora responsável pelo filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações foram apresentadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino para fundamentar a operação deflagrada ontem (10) contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e outros alvos suspeitos de envolvimento nos desvios.
Inicialmente, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou publicamente que todos os recursos para o filme foram privados, na mesma época em que admitiu ter pedido dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro com o objetivo de bancar o projeto. As suspeitas da PF, porém, indicam que o filme pode também ter se beneficiado de desvios de recursos públicos.
A defesa de Karina Ferreira da Gama, dona da Go UP, produtora do filme, foi procurada, mas não respondeu.
Essa operação tem como foco os repasses de emendas e recursos públicos a empresas ligadas à produtora do filme. Flávio Bolsonaro e seu pedido a Vorcaro estão sob investigação em um outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça no caso Master.
A PF também apreendeu sete armas de fogo com Frias, em Brasília, que estavam registradas em nome dele e foram encontradas em um endereço diferente do que constava nos registros oficiais.
"Interferência"
Em agenda de campanha em Boa Vista-RR, Flávio Bolsonaro classificou como "interferência política" a ação da PF.
Na declaração, o candidato questiona os fundamentos para a operação e alega que a motivação seria ele ter ultrapassado o atual presidente Lula (PT) nas pesquisas. (Da Redação com Estadão Conteúdo)