Candidato a presidente é alvo de operação da PF
Há suspeita de desvio de verbas do fundo partidário para empresas sem vínculos com o PCO
Equipes da Polícia Federal (PF) cumpriram ontem (11) mandados de busca e apreensão contra suspeitos de desviar verbas do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Um dos alvos é o candidato à Presidência da República, Rui Costa Pimenta, de 69 anos, pelo Partido da Causa Operária (PCO).
A Operação Causa Própria executou mandados de busca e apreensão e outras medidas determinadas pela Justiça Eleitoral. Entre elas estão o bloqueio de contas e aplicações financeiras, o sequestro de bens e o afastamento cautelar de investigados de cargos de direção e administração em entidades ligadas ao caso. A Polícia Federal informou que a investigação teve início a partir da análise de prestações de contas eleitorais e partidárias submetidas à Justiça Eleitoral, de relatórios de inteligência financeira e de diligências realizadas pela corporação.
Segundo a polícia, recursos públicos destinados à atividade político-partidária foram repassados a "empresas e pessoas físicas sem capacidade operacional compatível" com os valores recebidos ou com vínculos diretos ou indiretos com integrantes da estrutura partidária investigada.
O Estadão apurou que as análises realizadas pela Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias (Asepa) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificaram sucessivas inconsistências nas prestações de contas partidárias e eleitorais do PCO.
Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de apropriação indébita eleitoral, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro, de acordo com a Polícia Federal.
Jornalista e redator, Rui Costa Pimenta disputa pela quinta vez a Presidência da República. Ele já concorreu ao Palácio do Planalto nas eleições de 2002, 2006, 2010 e 2014.
Costa Pimenta e o PCO também foram alvo de apurações no inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal (STF). Em junho de 2022, o dirigente prestou depoimento à Polícia Federal no âmbito da investigação sobre publicações do partido nas redes sociais com ataques a instituições democráticas, entre elas o Supremo Tribunal Federal.
Resposta
Em nota, o PCO negou ilegalidade nos pagamentos e afirmou que a medida da PF é "ilegal, antidemocrática, uma óbvia perseguição política e eleitoral e uma tática de intimidação".
"Não se trata apenas de um abuso de poder e perseguição flagrantes, trata-se de um ato ridículo e digno de palhaços de circo", reagiu o Partido da Causa Operária. "É evidente que montaram um show para a imprensa usando o dinheiro público e o aparato policial", diz em outro trecho da nota. (Da Redação com Estadão Conteúdo)