STF bloqueia bens de Valdemar Costa Neto

Por Estadão Conteúdo

Presidente do PL teria desviado recursos de emendas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões de bens do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, por suspeitas de que ele tenha desviado a destinação de 21 emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato eletivo. Segundo a investigação da Polícia Federal, o dirigente teria utilizado servidores da Câmara dos Deputados para direcionar a ele mesmo recursos do "orçamento secreto".

"Não restam dúvidas de que as ações ora investigadas causaram prejuízo ao erário, no ponto em que emendas representativas de mais de R$ 119 milhões foram forjadamente encaminhadas e desviadas. O fato de que um terceiro não atuante no parlamento brasileiro tinha o poder e a ingerência sobre o direcionamento do orçamento público é gravíssimo e materializa o que de mais nefasto há em termos de desvios envolvendo o tema do orçamento secreto", anotou o ministro na decisão de 34 páginas.

A investigação da Polícia Federal na Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025, aponta que Valdemar "contava com autonomia para direcionar recursos de emendas conforme sua cota pessoal e particular, atribuída a partir de sua condição de presidente da sigla".

O direcionamento das emendas, segundo a PF, era operado por Mariângela Fialek, conhecida como "Tuca", ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).

Os policiais federais à frente da Operação Transparência relataram ao ministro Flávio Dino que planilhas eram formalizadas com indicações diretas de emendas atribuídas a Valdemar.

A reportagem do Estadão pediu posicionamento de Valdemar Costa Neto sobre a decisão, mas ele não respondeu até ontem (10) à tarde. (Da Redação, com Estadão Conteúdo)