Bilhetes levaram polícia à prisão de Deolane
Influenciadora digital e advogada é acusada de vínculos financeiros com lideranças do PCC
A investigação que levou à prisão da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra ontem (21), sob suspeita de ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), teve início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos trocados por lideranças da facção criminosa na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Nas redes sociais, a irmã dela comentou: “Acusar é fácil. Difícil é provar”.
No decorrer das investigações, a Polícia Civil identificou uma estrutura utilizada para ocultar e movimentar recursos financeiros do crime por meio de empresas e pessoas laranjas.
As apurações também apontaram conexões entre investigados e integrantes da organização criminosa, além da utilização de estruturas empresariais e patrimoniais para dificultar o rastreamento da origem e destinação dos recursos.
A partir do conteúdo de celulares apreendidos nas investigações sobre o PCC, a Polícia Civil encontrou “indícios de repasses financeiros e conexões” com Deolane.
“Segundo a investigação, a influenciadora passou a ocupar posição de destaque em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando da organização criminosa. Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão”, afirmou o MP em comunicado.
A operação Vérnix também obteve o bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos — incluindo automóveis de luxo — e quatro imóveis vinculados aos investigados.
Deolane foi presa pela manhã em sua residência em Barueri, na Grande São Paulo, após ter retornado de uma viagem à Itália. Em 2024, a influenciadora já havia sido presa em uma investigação sobre suspeitas de crimes envolvendo plataformas de apostas on-line.
Marcola
A operação também cumpriu mandados contra Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe da facção, contra o irmão dele e dois sobrinhos. Marcola já estava preso, então passa a responder a mais uma ordem de prisão.
A investigação Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo aponta que o patrimônio da influenciadora e advogada é incompatível com seus rendimentos declarados e é proveniente, ao menos em parte, da lavagem de dinheiro para o PCC. (Estadão Conteúdo)