Relação tensa entre Tarcísio e Kassab prejudica vice do PSD

Kassab, que tem trânsito com muitos políticos, quer ser vice, mas Tarcísio prefere Ramuth, mais discreto

Por Cruzeiro do Sul

Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o secretário de Governo, Gilberto Kassab, participam de jantar da 56ª Convenção da Confederação Israelita do Brasil

 

Quando foi anunciado secretário de Governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Gilberto Kassab (PSD) ganhou o status de “homem-forte” do governador. À época, Tarcísio era visto como um forasteiro, sem experiência no Executivo tampouco base política em São Paulo. Kassab, por outro lado, já carregava a fama de exímio articulador e profundo conhecedor do tabuleiro paulista.

Três anos depois, às vésperas da eleição, o cenário é outro. Embora tenha fortalecido o próprio partido, o PSD, que hoje reúne três pré-candidatos à Presidência, Kassab vive uma relação tensa com Tarcísio e enfrenta desconfiança do núcleo mais próximo do governador. Seus poderes na administração foram limitados ao longo do mandato, a ponto de aliados do Palácio dos Bandeirantes afirmarem que o secretário tem “caneta”, mas “sem tinta”.

Kassab não esconde que seu projeto pessoal é ser governador de São Paulo. O cálculo do cacique passa justamente por ocupar a vice na chapa de Tarcísio à reeleição, estratégia que remete a 2004, quando, ainda deputado federal pelo PFL, Kassab foi escolhido vice na chapa de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo. A manobra o levou ao comando da capital paulista e abriu caminho para estruturar o PSD, que em 2024 se tornou o partido com o maior número de prefeituras no País, desbancando o MDB.

Procurados, nem o governo de São Paulo nem Kassab se manifestaram. Como mostrou o Estadão em setembro do ano passado, Tarcísio disse a aliados que não há qualquer possibilidade de Kassab ocupar a vaga de vice em uma possível chapa à reeleição. Reservadamente, o governador diz que seu desejo é manter Felício Ramuth (PSD), que passou a ser assessorado pelo marqueteiro Pablo Nobel a seu pedido. Nobel foi responsável pela campanha vitoriosa de Tarcísio em 2022, e a dobradinha deve ser reeditada neste ano.

Ramuth construiu sua carreira política no PSDB, mas foi levado ao PSD por Kassab com o objetivo de disputar o governo de São Paulo em 2022. No fim, o partido decidiu apoiar Tarcísio e Ramuth foi integrado à chapa.

Ramuth é visto como um vice fiel e discreto, que não gera problemas dentro do governo. Ao longo da gestão, aproximou-se mais de Tarcísio do que de Kassab, a ponto de, dentro do PSD, circular a expectativa de que Kassab tente vetá-lo para se afirmar como candidato. Tarcísio, por sua vez, já sinalizou que poderia acomodar Ramuth em outro partido para mantê-lo na vice.

O MDB é apontado como uma possível “barriga de aluguel” de Ramuth. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), no entanto, já disse a aliados que, se a vaga de vice ficar com o partido, prefere que o posto seja ocupado pelo presidente nacional da legenda e seu aliado, deputado Baleia Rossi (SP). (Da Redação, com informações do Estadão Conteúdo)