CPI do INSS barra votação de quebra de sigilo de Master

Duas empresas de Luchsinger, amiga de Lulinha, filho de Lula, estavam na pauta

Por Cruzeiro do Sul

Senador Carlos Viana (Podemos) pautou 78 requerimentos para a sessão

Parlamentares governistas e da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva entraram em acordo na manhã de ontem (5), e barraram a votação de requerimentos que miram o Banco Master e aliados do petista e do ex-presidente Jair Bolsonaro na CPI do INSS. Os pedidos foram retirados da pauta e não foram apreciados na sessão.

Entre eles, estão requerimentos de quebra de sigilo do Master; do filho do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski; de empresas de Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha; e do ex-ministro da Previdência do governo Bolsonaro Onyx Lorenzoni e do filho dele, Pietro Lorenzoni.

Além dessas quebras de sigilo, a CPI não votou um pedido de prisão de José Carlos Oliveira, outro ex-ministro da Previdência no governo Bolsonaro. A quebra de sigilo da filha de Oliveira, Yasmin Ahmed Hatheyer Oliveira, também foi barrada.

Investigação da Polícia Federal aponta que Oliveira recebeu pagamentos da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) enquanto ocupava primeiro escalão do governo passado. A entidade é uma das envolvidas em descontos irregulares de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

As empresas Elephant II Produções LTDA e RL Consultoria e Intermediações LTDA, têm Roberta Luchsinger como sócia. Ela é amiga do filho de Lula. O autor do requerimento da quebra é o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPI do INSS.

“Conforme decisão ministro André Mendonça, do STF, no que se refere à Roberta, ‘sua atuação se revela essencial para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas como instrumentos da lavagem de capitais’. Na decisão, Mendonça pontuou que mesmo após a realização da primeira fase da Operação Sem Desconto, em abril deste ano, Antônio Carlos Camilo Antunes (Careca do INSS) e Roberta Luchsinger continuaram “a se falar e a planejar a continuidade dos ilícitos”.

Três requerimentos contra o Banco Master estavam pautados para análise na sessão da CPI. Os pedidos de quebra de sigilo contra a instituição financeira, o ex-sócio Augusto Lima e o Credcesta são de autoria do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS).

O parlamentar afirma que irregularidades cometidas pelo Master prejudicaram diretamente aposentados pelo INSS. Van Hattem cita, por exemplo, que a área técnica da autarquia apontou em documento que o Master deixou de apresentar mais de 250 mil documentos que comprovassem contratos de crédito consignado firmados.

Do lado governista, Paulo Pimenta (PT-RS), autor do requerimento contra Onyx, aponta que há “indícios relevantes” que ele teria flexibilizado a legislação e normas internas do INSS para facilitar a celebração de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) entre o órgão e entidades envolvidas no esquema. (Da Redação, com informações do Estadão Conteúdo)