BTG disputa consignados do Master com INSS

Por Cruzeiro do Sul

Banco conseguiu liminar para desbloquear pagamentos, mas decisão foi cassada por desembargadora

Um fundo do BTG Pactual trava uma disputa em segredo de Justiça contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para desbloquear uma carteira de empréstimos consignados do Banco Master. Os contratos, adquiridos pelo fundo, estão bloqueados pelo órgão, sob suspeita de fraudes. A contenda começou em dezembro e o BTG chegou a conseguir uma decisão liminar favorável ao desbloqueio no dia 31 de dezembro. A autorização, porém, foi cassada por outra magistrada em janeiro.

Procurado, o banco disse que não iria se manifestar sobre o assunto. O autor da ação é o Fidc Alternative Assets I, um fundo usado pelo BTG para a compra de ativos “estressados” — ou seja, títulos de empresas com dificuldades financeiras. Foi ele, por exemplo, que o banco usou para adquirir a revista Exame, em um leilão decorrente da recuperação judicial da editora Abril.

A carteira de crédito consignado do Master foi comprada inicialmente pela CB Securitizadora. Posteriormente, o fundo do BTG comprou debêntures emitidas pela CB com lastro nesses consignados. Os descontos de empréstimos consignados feitos pelo Banco Master estão bloqueados desde o fim de novembro pelo INSS.

Fictor em recuperação judicial

O Grupo Fictor, que ganhou os holofotes em novembro do ano passado ao aparecer em uma operação de compra do Banco Master um dia antes de o banco ser liquidado, protocolou no domingo (1º), junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), pedido de recuperação judicial. Entraram no pedido de proteção contra credores para a Fictor Holding e Fictor Invest. O valor total da dívida é de R$ 4 bilhões.

Segundo comunicado do Fictor, o grupo pretende quitar todas as dívidas sem deságio. Isso significa que a empresa não planeja negociar abatimento nos valores, mas apenas o prazo. “A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável”, escreve a empresa. (Estadão Conteúdo)