PF avança na investigação de ex-nora de Lula por fraude
Desvios teriam ocorrido em licitações de prefeituras para materiais didáticos
A Polícia Federal deflagrou, na manhã de ontem (15), a terceira fase da Operação Coffee Break, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre supostas fraudes em processos de licitação pública envolvendo materiais didáticos em prefeituras do interior paulista. Em novembro, Carla Ariane Trindade — ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, filho de Marisa Letícia Lula da Silva (falecida) e enteado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — foi alvo da Polícia Federal por suspeita de receber propinas do empresário André Gonçalves Mariano, apontado como pivô do esquema.
Carla nega as acusações. Em novembro, sua defesa informou que havia solicitado acesso aos autos e que só se manifestaria após conhecer integralmente o conteúdo da investigação.
Nesta etapa, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão no Estado de São Paulo, além da execução de medidas de constrição patrimonial.
Policiais federais acreditam que o esquema de corrupção e desvio de recursos públicos da Educação investigado na Operação Coffee Break estaria em funcionamento desde, pelo menos, 2021, com ramificações por diferentes prefeituras de São Paulo. O relatório parcial do inquérito crava que agentes públicos, lobistas, doleiros e um empresário formaram uma “organização criminosa estruturada”.
Na fase anterior da Operação Coffee Break, deflagrada em 13 de novembro, a Polícia Federal prendeu seis pessoas sob suspeita de fraudes em licitações nos municípios de Sumaré e Hortolândia, no interior de São Paulo. Entre os alvos estava o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César (PSB), que foi preso na ocasião.
As investigações se concentram na empresa Life Tecnologia Educacional, que recebeu cerca de R$ 70 milhões para o fornecimento de kits e livros escolares a três prefeituras paulistas.
Os investigadores afirmam haver indícios de que a ex-nora do presidente Lula atuou em Brasília para viabilizar a liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) em favor da empresa investigada. A PF também aponta que Kalil Bittar, ex-sócio de um dos filhos de Lula, teria desempenhado papel semelhante. (Estadão Conteúdo)