Metanol abandonado pode ter sido usado em bebidas

PF apura origem do produto, que causou intoxicações e mortes

Por Cruzeiro do Sul

Galpão na capital paulista tinha 100 mil garrafas vazias

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou ontem (7) que uma das hipóteses investigadas pela Polícia Federal é de que o metanol utilizado para adulterar bebidas tenha origem em caminhões e tanques abandonados pelo crime organizado após Operação Tank.

Lewandowski disse que uma das principais vias para solucionar o caso será a identificação do tipo de metanol utilizado para adulterar bebidas: se a substância teria origem vegetal, gerada pela própria fermentação das substâncias utilizadas na produção de bebidas, ou mineral. Neste último caso, pode haver ligação com a operação. O ministro se reuniu ontem com associações do ramo de bebidas.

Até agora, o Brasil reúne 217 notificações de possível intoxicação por metanol após consumo de bebida. Dessas, 17 casos foram confirmados e 200 estão em investigação.

A Prefeitura de São Bernardo do Campo, município da Região Metropolitana de São Paulo, confirmou a morte de Bruna Araújo de Souza, de 30 anos, que estava internada desde o final de setembro em um hospital municipal sob suspeita de contaminação por metanol — o que veio a se confirmar em exames posteriores.

Bruna teria se intoxicado após a ingestão de bebida alcoólica adulterada e é a primeira morte confirmada pela ingestão da substância na cidade. É o terceiro óbito confirmado por intoxicação de metanol no Estado de São Paulo.

Reaproveitamento

Uma força-tarefa do Governo de São Paulo apreendeu ontem mais de 100 mil garrafas vazias de bebidas alcoólicas em um galpão clandestino na Vila Formosa, zona leste da capital. O imóvel funcionava como uma espécie de “empresa de recicláveis”, mas, segundo a Polícia Civil, o verdadeiro negócio era a revenda de vasilhames para reaproveitamento na produção de bebidas adulteradas. (Da Redação, com informações de Estadão Conteúdo)