Policiamento é reforçado para julgamento de Bolsonaro
Sinalizações de Fux alimentam apostas da defesa sobre divergências
O policiamento na praça dos Três Poderes, em Brasília, foi ampliado desde ontem (1º) por causa do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete réus por suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
A segurança na área central da capital federal é reforçada com uma operação integrada entre a Segurança Pública do Distrito Federal e a Polícia Judicial, efetivo que realiza a guarda do STF. Uma célula com os dois efetivos integrados foi instalada na praça dos Três Poderes.
O policiamento foi ampliado nas vias de acesso à praça. Por decisão do STF, acampamentos e obstruções estão proibidos na área. A operação contará com varredura constante de drones de imagem térmica.
Mais de 3 mil pessoas se inscreveram para acompanhar presencialmente o julgamento do “núcleo crucial da trama golpista”. De acordo com o Supremo, “foram disponibilizados 150 lugares para o público em geral”. Por limitação de espaço, o Tribunal aceitará somente os 1.200 primeiros cidadãos que se inscreveram do total de 3.357.
Recursos
As sinalizações do ministro Luiz Fux nos últimos meses alimentam a aposta das defesas de que ele abra divergência no julgamento de Jair Bolsonaro. Um voto nessa direção teria, segundo eles, potencial para abrir caminho aos embargos infringentes, recurso que leva o processo ao plenário, adia os efeitos da sentença e reabre a discussão sobre o mérito.
Mesmo reconhecendo as grandes chances de condenação, as defesas ouvidas pelo Estadão apostam que Fux pode divergir na dosimetria das penas ou na absorção de crimes, como já fez em julgamentos de réus do 8 de janeiro.
Além de Bolsonaro, também serão julgados os generais Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, o almirante Almir Garnier, o ex-ministro Anderson Torres, o deputado federal Alexandre Ramagem e o tenente-coronel Mauro Cid. Todos respondem por organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. (Da Redação, com informações de Estadão Conteúdo)